O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 14/07/2020

Na obra “A cidade do Sol”, do escritor italiano Tomasso Camponella, uma sociedade metodicamente harmoniosa e ordenada, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos, é retratada. No entanto, o observado na realidade brasileira é o oposto da óptica debatida pelo autor, uma vez que a utilização do esporte como ferramenta de inclusão apresenta obstáculos. Assim, esse cenário antagônico é fruto tanto da inoperância estatal, quanto de instituições estudantis. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Em primeiro plano, é valido ressaltar que a inoperância estatal colabora diretamente na concretização da sociedade utópica referenciada. Nesse contexto, Thomas Hobbes, filósofo contratualista, afirma que o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, incluindo o direito ao esporte. Entretanto, esse bem-estar está distante de ser realidade na sociedade brasileira, isso porque o setor governamental não assegura que o artigo 6 da Constituição Federal de 1988 seja inteiramente posto em prática, tendo em vista que as zonas periféricas sofrem com o descaso de investimentos nesse âmbito, fomentando a forma brusca como o direito ao lazer não é posto em pratica para todos. Logo, o corpo social torna-se dependente e prejudicado pelas ações despreparadas vigentes do Estado.

Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução, a falta de incentivo presente em determinadas instituições estudantis. Dado que, consoante o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser revertido em mecanismo de opressão simbólica. Contrariamente, nessa perspectiva, no que tange ao esporte como metodologia de inclusão social, a escola, que deveria promover atividades esportivas para a socialização entre alunos, prioriza as matérias tradicionais em detrimento do incentivo ao esporte escolar. Dessarte, é imprescindível a mudança de comportamento das instituições para uma modificação dessa situação.

Infere-se, portanto, a necessidade de promover melhorias para combater os entraves que promovem a problemática. Em vista disso, torna-se necessário que o Ministério da Educação, juntamento ao Governo Federal, promova um maior investimento para áreas de lazer, especificamente relacionadas ao esporte, por intermédio de emendas constitucionais, as quais permitam a destinação de capital para os diversos Estados do Brasil, precipuamente, para áreas atestadas com maior precariedade nos espaços públicos esportivos. Tudo isso, com a finalidade de motivar e garantir que as pessoas tenham o seu direito cumprido. Além disso, o Ministério da Educação deve propagar informações sobre a importância do desporte, principalmente na escola e nas mídias. Só assim, a coletividade alcançara a “cidade do Sol” descrita por Camponella.