O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 20/08/2020
Pelé, José Aldo, Ronaldo “fenômeno”. Esses são alguns exemplos de atletas que tiveram uma infância com poucos recursos financeiros e encontraram no esporte uma oportunidade de mudança. Contudo, apesar de suas carreiras de sucesso, projetos com o objetivo de proporcionar o acesso à atividades físicas não têm ganhado o apoio necessário. Nesse sentido, a desvalorização dos desportos como ferramenta de inclusão social no Brasil é um problema grave, visto que eles possibilitam uma ascensão social e contribuem para o bem-estar da população.
Inicialmente, a realização de práticas corporais é capaz de inserir pessoas marginalizadas na esfera econômica. Em consonância com o pensamento de Kant, o homem, como um ser racional, é aquilo que a educação faz dele. Por exemplo, na Grécia Antiga, não só o estudo da filosofia, como também as atividades físicas, exerciam um papel fundamental na formação de um cidadão. Diante disso, a prática de esportes consegue dar oportunidades para a conquista de uma profissão como atleta e garantir uma vida digna àqueles que foram abandonados pelo poder público devido a um ensino precário. Evidencia-se, por meio dos desportos, a inserção dos mais pobres no mercado de trabalho.
Por outro lado, deficientes encontram no esporte meios para uma melhora na sua saúde emocional e física. De acordo com Durkheim, um dos fatores que aumentam o índice de suicídios numa sociedade é a falta do sentimento de conexão entre o indivíduo e um grupo. Dessa forma, atividades corpóreas são capazes de não só prevenir contra doenças ligadas ao sedentarismo, mas também gerar uma integração por meio do trabalho em equipe. Percebe-se, assim, um ganho na qualidade de vida das pessoas com autismo, síndrome de Down e outros transtornos que dificultam a inclusão social.
É mister, portanto, tomar medidas que promovam a democratização do esporte para a integração de parcelas periféricas da população. Logo, cabe ao Poder Executivo Municipal aumentar o investimentos em práticas de movimentação corporal, por meio da criação de um programa de contratação de profissionais de educação física -capacitados para lidar com deficientes- e especialistas em um único desporto, os quais utilizarão espaços públicos para as suas aulas -como escolas e praças. Além disso, essas aulas estarão disponíveis gratuitamente para todos os membros da sociedade. Espera-se, com isso, expandir o acesso à atividades físicas e ampliar o seu potencial como uma ferramenta de inclusão.