O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 19/08/2020

Em 2015, apenas 20% das escolas brasileiras possuíam quadras poliesportivas adaptadas para cadeirantes, segundo dados da plataforma digital G1. Esse fato demonstra a fragilidade do sistema público de educação, o qual, por falta de investimentos em programas educativos de estímulo à igualdade, gera o principal problema do país: exclusão do deficiente físico no esporte. Assim, observa-se a necessidade de analisar os avanços e os desafios para uma possível solução da problemática.

A princípio, vale ressaltar o progresso obtido na luta contra a desigualdade. Mário de Andrade, importante poeta brasileiro, diz: ‘‘o passado é lição para se meditar, não para se reproduzir". Tal assertiva faz referência ao período da Grécia Antiga, quando a discriminação criou a relação entre a dificuldade motora com a imperfeição e, por conseguinte, o afastamento do deficiente das práticas esportivas e das Olimpíadas. Por tudo isso, no Brasil, a Constituição de 1988 não somente determinou que todo cidadão têm o direito à prática de esportes, mas também que é dever do governo investir em ferramentas de inclusão deste no ambiente escolar.

Ademais, é indispensável destacar os obstáculos enfrentados para garantir a igualdade. Nesse sentido, semelhante aos índices de 2015, inúmeros jovens deficientes sentem-se não pertencentes ao grupo escolar devido aos princípios existentes na sociedade brasileira, os quais classificam a cadeira de rodas como uma limitação à prática de esportes. Isso ocorre por conta da falta de incentivos pelo Ministério da Educação em quadras poliesportivas adaptadas para a locomoção segura do aluno cadeirante e em gincanas escolas capazes de desenvolver uma reflexão a respeito da igualdade. Considera-se essa situação grave, tendo em vista que não investir em projetos sociais de incentivo ao esporte como ferramenta de inclusão social vai em desencontro com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo objetivo é garantir os direitos de todo cidadão.

Depreende-se, portanto, que ações contra a exclusão do deficiente no esporte devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, o Ministério da Educação, órgão responsável pelo ensino, deve buscar aproximar todos os alunos à atividade física, independente da sua condição física e mental, por intermédio da construção de quadras poliesportivas adaptadas para uso de cadeiras de rodas, com o objetivo de incentivar a igualdade social. Somado a isso, cabe ao Ministério da Cidadania tornar possível o surgimento dos ‘‘multirões da conscientização’’, por meio da disponibilização de locais e de horários em amplo território nacional, onde o estudante e sua família poderão ter acesso às informações relevantes para minimizar a ideia de limitação atribuída à deficiência física.