O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 02/09/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado fomentar a prática desportiva na sociedade. Entretanto, atualmente, o suporte estatal com relação ao esporte, se encontra concentrado em apenas uma área, o que torna o investimento em outras vertentes esportivas deficitário, prejudicando, assim, a inclusão social que é promovida por meio da prática de atividades físicas. Assim, é notório que a cultura futebolística no Brasil, concomitante a falta de suporte financeiro do Estado, propicia o atual cenário.
Em primeiro plano, vale ressaltar que a nação brasileira teve arraigado ao longo de sua história a cultura do futebol, que é passada de geração em geração. De acordo com Nietzsche, filósofo moderno, as relações sociais são regidas por forças reativas, ou seja, as pessoas são submetidas à manipulação e alienação conforme o que lhes é imposto, sem iniciativa de pensamento ativo. De maneira análoga a esse ideário, o bombardeamento de concepções sobre o futebol como o esporte mais importante, em detrimento dos outros, acaba por contribuir com a manutenção da falta de acolhimento da sociedade para com outras atividades desportivas, perpetuando o atual cenário.
Por conseguinte, a ineficiência estatal na garantia de investimentos para as diferentes vertentes de esportes, é um outro fator agravante desse cenário. Nesse sentido, o filósofo contratualista John Locke afirma que o Estado, devido ao Contrato Social, foi criado para assegurar os direitos intrínsecos ao ser humano. No entanto, vê-se que a premissa proposta por Locke destoa da realidade, pois à medida que o suporte governamental se encontra deficiente em incentivar programas esportivos e até mesmo atletas já em nível profissional, há um distanciamento do previsto em Constituição, o direito ao lazer e a obrigação do governo em fomentar o esporte na nação.
Diante do exposto, é evidente que a questão do esporte como inclusão social necessita do compartilhamento de responsabilidades com respostas sistêmicas. Assim, cabe ao governo, entidade responsável por assegurar os direitos sociais, por meio do Ministério da Cidadania, estabelecer de forma eficiente programas desportivos de diversos segmentos, para que possam ser atendidos diferentes perfis de pessoas, a fim de potencializar a inserção de variados grupos da sociedade no esporte, ampliando, assim, os níveis de interação social. Desse modo, será possível mitigar o contexto deficitário atual, construindo uma sociedade paradoxa ao ideário nietzschiano.