O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 17/09/2020

“Eu não vou virar um ladrão se você me der um leite, um pão, um vídeo game, uma chuteira é uma camisa do mengão”. Esse verso da música “Pátria que me pariu” do compositor e escritor Gabriel o pensador, pode ser associada aos entraves econômicos e estruturais presentes no cenário brasileiro, os quais impedem o acesso de jovens e de adultos a oportunidades e a direitos. Tendo em vista tal panorama, nota-se que o esporte é uma ferramenta fundamental de inclusão social de indivíduos excluídos do meio social.

Em primeiro lugar, observa-se que o cenário caótico estabelecido pelo modelo econômico- capitalismo- corrobora a desigualdade social. Dentro dessa lógica, vale ressaltar que, frequentemente, crianças e adolescentes moradoras de regiões periféricas, são marginalizadas da sociedade. Logo, esses jovens não possuem acesso à educação de qualidade e consequentemente, muitas vezes, esses indivíduos participam do tráfico de drogas,com intuito de se ascender economicamente. Desse modo, o esporte nas periferias proporciona o ingresso dessas crianças e adolescentes a carreiras profissionais, além dessas atividades físicas desenvolverem rotina, comportamento e habilidades cognitivas- fala, criatividade e trabalho em grupo. Entretanto, identifica-se barreiras estruturais e financeiras, como exemplo a ausência de segurança, de quadras e de água e esgoto tratado. Assim, esses fatores impedem que as ONG’s esportivas se estabeleçam de forma adequada nessas regiões.

Convém lembrar ainda que as práticas esportivas permite o acesso de deficientes físicos á atividades profissionais e de entretenimento. A exemplo disso, têm-se o Instituto Remo meu Ramo, o qual tem como objetivo viabilizar a prática do remo e da canoagem adaptada a crianças e jovens com deficiências. Nesse sentindo, vale destacar que o esporte fomenta nesses indivíduos não só a autonomia, como também a autoestima. Dessa forma, percebe-se que a Lei Brasileira de Inclusão de Pessoas com Deficiência não é satisfatória, pois não há investimento público suficiente na adequação de ruas, prédios e escolas públicas. Assim, esse descaso governamental destinado aos deficientes se estende também a falta de investimento desses órgãos públicos no esporte paraolímpico.

Urge, portanto, que o Governo Federal mediante o repasse de verba, implemente nas regiões marginalizadas estruturas, como água tratada, iluminação, ruas asfaltadas e quadras regulares. Além, de se estabelecer maior presença policial nessas regiões historicamente neglicenciadas,desde que haja uma humanização nas ações.Isso deve ocorrer a fim de possibilitar o aumento da atuação de Instituições de esportes com os jovens e crianças. Em adição, é fundamental que o Estado, por meio de reajuste de verba, implemente no esporte paraolímpico afim de dar oportunidades a esses atleta.