O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 05/10/2020

Na Grécia antiga, durante os Jogos Olímpicos, até mesmo as guerras cessavam para o povo celebrar as comemorações que as diversas competições esportivas proporcionavam. Dessa maneira, é inegável o poder de transformação que o esporte tem sobre os seres humanos, ao gerar união e cumplicidade. Além disso, a atuação esportiva quando associada às políticas governamentais de um país, tem um importante papel social entre os cidadãos. Infelizmente, essa prática no Brasil não é recorrente, uma vez que o governo não incentiva e não aproveita o potencial máximo que o esporte tem a oferecer no desenvolvimento do país, o que urge mudanças constitucionais.

Em primeiro lugar, no Brasil, é comum jovens -principalmente aqueles em posição de vulnerabilidade social- obrigando-se a escolher entre seguir com o sonho esportivo ou investir nos estudos, devido ao país não ter políticas que conciliem ambos. Nesse sentido, o site VEJA relata que, atualmente, existem cerca de 20 mil brasileiros estudando em universidades americanas, visto que, nos Estados Unidos, é possível ingressar na faculdade a partir do esporte, uma vez que a concessão de bolsas estudantis para praticantes esportivos é uma realidade, o que garante uma educação mais ampla e acessível à população. Logo, tais fatos somente demonstram como o Brasil peca ao negligenciar o esporte como ferramenta de inclusão e minimizador de desigualdades.

Em segundo lugar, a prática esportiva também é deveras útil ao proporcionar a integração de indivíduos especiais na sociedade; as Paraolimpíadas foram criadas com esse objetivo e, com isso, oferecem oportunidades e destacam pessoas com deficiências mundialmente. Todavia, no Brasil, não há uma lei que garanta a inclusão deles especificamente no esporte, relata o Comitê Paralímpico Brasileiro. Dessa forma, ações governamentais não incentivam o esporte para deficientes, o que denuncia, mais uma vez, a ausência de responsabilidade e descaso do governo brasileiro ao possibilitar a inserção desses indivíduos na sociedade de forma igualitária.

Destarte, para resolver esse problema, o Ministério da Cidadania, por meio da Secretaria Especial do Esporte juntamente com o Ministério da Educação, deve apresentar um projeto de lei à Câmara dos Deputados, que torne uma realidade no Brasil a possibilidade de ingressar ao ensino superior a partir da ação esportiva, incluindo a concessão de bolsas estudantis. Ademais, que garanta também a incorporação de pessoas deficientes no esporte ao assegurar a elas cotas esportivas voltadas às universidades e escolas, que deverão conter, no mínimo, um esporte destinado à indivíduos de condições especiais. Assim, espera-se que o esporte torne-se uma forma de proporcionar aos cidadãos maiores oportunidades e inclusão social, de forma a fazer do Brasil um país melhor.