O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 12/10/2020

A pratica do esporte é essencial na construção do indivíduo como ser social, já que estimula a comunicação interpessoal, a superação de crenças limitantes, além de promover o senso de solidariedade e alteridade. Entretanto, mesmo com tantos benefícios o esporte é negligenciado pelo Estado, uma vez que carece de incentivos, de políticas públicas de inclusão social e de investimentos infraestruturais. Dessa forma, provoca a falta de interesse nas crianças, nos jovens e adolescentes pela prática. Logo, faz-se necessário a análise dessa conjuntura, a fim de mitigar os empasses na efetivação do esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil.

Em primeira análise, vale destacar a incipiência do auxílio financeiro aos atletas e o sucateamento dos espaços esportivos públicos como reflexo do descaso governamental, já que há baixos investimentos no setor. Segundo dados do plano orçamentário, o Ministério do Esporte reduziu 28% do investimento geral direcionado a área. Dessa maneira, a falta de subsídio e a incipiência dos auxílios faz com que os jovens tenham desinteresse pelo esporte, e não vê-lo como uma oportunidade de trabalho e de ascensão social. Assim, permitindo com que permaneçam em ambientes de vulnerabilidade social.

Além disso, o esporte é um grande agente social na luta antidrogas, pois a prática elucida princípios para construção da cidadania e consegue afastar crianças, adolescentes e jovens das ruas, onde encontra-se um ambiente nocivo provocado pela violência. Dessa forma, essa situação é de vulnerabilidade, pois expões os indivíduos a consequências da cultura da violência. Segundo Freire Costa, a cultura da violência é entendida pelo contato contínuo e cotidiano com atos de violência, que muitas vezes são negligenciados pelo Estado, esse vácuo no poder promove a normatização das ações, como algo inevitável, e o sentimento de impunidade, fazendo com que jovens entre no crime acreditando nessa perspectiva. Assim, o esporte usado como ferramenta de inclusão permite romper esse ciclo cultural vivenciado nas periferias brasileiras, já que diminui o contato com a rua.

Infere-se, portanto, que para melhoria da inclusão social por meio da prática esportiva, é necessário que o Ministério da Cidadania, juntamente ao Ministério do Esporte invista mais no setor e promova subsídios com mais vantagens, por meio do aumento dos beneficiamentos fiscais propostos pela Lei de Incentivo ao Esporte, para que consiga arrecadar mais fundos que serão destinados ao plano orçamentário para reformar e construir novos espações poliesportivos, e que possa aumentar o auxilio financeiro dos atletas, a fim de proporcionar mais acesso e interesse na prática esportiva. Assim, o Brasil melhorará a superação dos desafios sociais e econômicos dos vulneráveis por meio do esporte.