O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 04/11/2020
A vida de Michael, jogador do flamengo, retrata um ex-traficante que conseguiu mudar de vida devido ao futebol e está em um dos maiores clubes do Brasil. Nesse contexto, analisa-se o esporte como uma importante ferramenta de inclusão social. No entanto, esse potencial não tem sido aproveitado ao máximo, a imensa segregação de acesso a práticas esportivas impede que os jovens sejam fecundados pelos valores do esporte, talentos são desperdiçados e a discriminação permanece.
Em uma primeira abordagem, é importante ressaltar a relevância do esporte no processo de formação da personalidade em cada ser humano. De acordo com Joel Jota, mestre em ciência do esporte pela USP e ex-nadador da seleção brasileira, a prática esportiva além de garantir benefícios fisiológicos e psicomotores, colabora para formar indivíduos com as virtudes do foco, determinação, respeito, confiança, colaboração em equipe, características fundamentais no desenvolvimento humano. Nesse viés, percebe-se que cidadãos com esses valores garantiriam uma sociedade mais harmoniosa. Entretanto, a população brasileira não dá valor suficiente ao esporte, menos de 40% praticam, e essa útil ferramenta não é aproveitada.
Ademais, deve-se destacar o papel do esporte em minimizar a segregação social, afastar os jovens da criminalidade e garantir o exercício da cidadania aos mais variados públicos. Prova disso é a “taça das favelas”, um torneio de futebol que ocorre entre as comunidades do Brasil e dá visibilidade a jovens que possivelmente nunca teriam essa oportunidade de serem vistos por grandes clubes brasileiros. Contudo, esse evento é uma exceção, a realidade da maior parte dos locais é a ausência de ginásios e até os mais simples acessórios que permitiriam a prática dos variados esportes.
Evidencia-se, diante disso, que o esporte é uma potente ferramenta para promover a inclusão social, mas não é valorizado ou democratizado. Portanto, devem ocorrer parcerias público-privadas, entre o Ministério da Cidadania e empresas esportivas, com o objetivo de expandir a prática de esportes em solo brasileiro. Isso pode ser feito por meio da criação de fundos que sejam destinados a construção de centros esportivos em locais em que tal infraestrutura não é disponibilizada, para que o esporte se torne uma realidade possível entre os jovens brasileiros. Assim, mais exemplos como o de Michael serão possíveis e mais indivíduos serão incluídos socialmente.