O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 06/11/2020
A copa do mundo de 2014 e as olimpíadas de 2016, no Brasil, demonstraram não só a relevância do esporte na terra tupiniquim, mas também as superações sociais vividas pelos atletas. Nesse sentido, é preciso que haja uma democratização mais ampla do esporte, para que por meio disto sobrevenha uma maior inserção das classes mais pobres da sociedade. No entanto, a negligência Estatal em garantir os direitos cívicos, juntamente com o caráter elitista do esporte, dificultam esse cenário.
Em primeira análise, vale destacar que o acesso ao esporte é direito constitucional garantido pelo artigo 6 da constituição cidadã de 1988. Por outro lado, a inoperância de políticas públicas no que tange a promoção de práticas desportivas, fere a legislação brasileira e desrespeita parte da sociedade que depende do cumprimento desse artigo para usufruir do lazer. Dessa forma, a concentração de espaços desportivos em áreas de alto desenvolvimento econômico acentua o alheamento de parte da sociedade com menor capital financeiro, provando assim, a segregação social vigente.
Ademais, atrelado à segregação, a natureza elitista do esporte se faz também responsável pela dificuldade de inclusão. Historicamente, na Grécia antiga, o esporte era lazer praticado pela classe dominante, logo, o momento hodierno é consoante ao passado ao dificultar que pessoas mais pobres tenham acesso à práticas desportivas. Diante disso, segundo pesquisas da Fundação Getúlio Vargas(FGV), o Brasil ocupa a sétima posição dos países mais desiguais do mundo, o que evidencia que características do passado ainda não foram vencidas.
Fica claro, portanto, a necessidade de medidas para a solução do problema de inclusão no desporto do país. Nesse viés, o Estado deve por meio do novo Ministério da Cidadania, em conjunto ao Ministério da Educação, criar projetos de fixação de práticas desportivas nas escolas, aberto também à sociedade, como também a criação de quadras poliesportivas nos bairros escolares e por fim, o incentivo na formação de campeonatos amadores. Para isso, o Governo Federal deve repassar fundos para as câmaras municipais, que serão utilizados para que haja melhorias nas estruturas já existentes, mas também na criação de novos espaços. Além disso, os educadores físicos das escolas devem ser preparados para liderar esses eventos amadores a serem realizados nos bairros. Certamente, fazendo-se tais ações, pode-se inserir os cidadãos residentes de locais periféricos ao esporte e gerar uma maior inserção social.