O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 13/11/2020

A cidade de Atenas, na Grécia Antiga, tinha como uma das principais características a valorização do esporte para o preparo militar. Contudo, além disso, a prática de exercícios também era utilizada como mecanismo para a educação, pois capacitava os jovens para a vida em sociedade, sendo o principal meio, na época, para socialização. Todavia, a atualidade nacional é marcada por uma crescente desvalorização do esporte como ferramenta de inclusão social. Por isso, é válido refletir sobre os entraves a cerca da não valorização do esporte como meio de integração social: a falta de adesão da sociedade e constante redução de investimentos governamentais.

Em primeiro plano, é necessário salientar que a falta de conhecimento social da atividade física como mecanismo de inclusão dificulta a ampliação da prática do esporte. Haja vista que o exercício físico possibilitou a superação de Ronaldo Fenômeno, antigo morador da periferia do Rio de Janeiro e de origem humilde, o qual atualmente tornou-se mundialmente conhecido devido ao destaque no futebol. Para mais, Émile Durkheim, sociólogo francês e precursor da teoria funcionalista, compara a sociedade a um organismo vivo que, assim como um ser vivo, precisa estar com seus segmentos em sincronia para um bom funcionamento. Portanto, é indubitável que o esporte é uma das ferramentas que proporciona o adequado desempenho desse organismo, por promover maior socialização, além da superação de obstáculos sociais.

Outrossim, a inacessibilidade de parte da população à prática de exercícios devido à redução de investimentos governamentais é, da mesma forma, um óbice à inclusão social. Tendo em vista que o Governo Federal realizou, em 2018, cortes no programa Bolsa Atleta, além da redução do patrocínio de estatais no início de 2019. Em vista disso, apesar do direito à igualdade e desenvolvimento social  concedidos para a população, de acordo com o artigo três da Constituição de 1988, a carência aos mecanismos de inserção social ainda é uma realidade nacional.

Dessa forma, ao considerar o esporte como ferramenta para a inclusão social, a sociedade civil organizada deve amparar as campanhas oficiais de estimulo ao realizar mobilizações das associações comunitárias para promover maior adesão social ao exercício e valorização do esporte. Ademais, o Governo Nacional unido ao Ministério da Educação deve possibilitar maior acesso ao esporte por meio de implementações, assim como a manutenção de ferramentas, para a prática de exercícios nas instituições públicas de ensino para garantir a inclusão social e o adequado funcionamento do organismo vivo, sociedade, como almejava o sociólogo Durkheim.