O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 27/11/2020

Para o filósofo Jean-Paul Sartre, “o ser humano é livre e responsável, cabe a ele escolher seu modo de agir”. Essa visão, embora correta, não abrange todo o hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que há dificuldades em fazer com que o esporte seja uma ferramenta de inclusão social, situação que compromete as escolhas dos indivíduos. Isso ocorre tanto em função da desigualdade social, como também pela inação das esferas governamentais para conter esse dilema. Diante disso, é imprescindível conhecer os diversos estigmas dessa problemática, na propensão de solucioná-la.

A princípio, é válido reconhecer como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Jürgen Habermas, no qual ele conceitua a ação comunicativa, que consiste na capacidade de uma pessoa em defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, que demanda ampla informatividade prévia. Dessa forma, sabendo que a cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam total conhecimento da realidade na qual estão inseridos, eles serão incapazes de assumir plena defesa pelo coletivo. Logo, delimitar a integração da população no âmbito esportivo não pode ser uma ação permitida em nome do combate, também, ao individualismo e zelo pelo bem grupal.

Ademais, o controle de dados impulsiona a indústria cultural, teoria criada pelos sociólogos Adorno e Horkheimer. Segundo essa, a cultura de determinado local é substituída por uma que se sobressai, fenômeno intensificado pela concentração de renda. Em virtude de manipulações por autoridades governamentais e, de acordo com a Organização das Nações Unidas, o Brasil tem a 2ª maior concentração de renda do mundo; uma vez que os elementos da cultura a ser difundida são vinculados aos que têm mais poder de voz. Isso causa perda de identidade dos povos, que os leva ao desinteresse com a área esportiva caracterizado por sentimentos de preocupação, com estabilidade financeira ou apoio moral.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Educação, deve propor a criação de escolas, com finalidade exclusiva para o esporte, em todas as cidades brasileiras, com acompanhamento de professores especializados, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tais unidades têm como finalidade garantir atividades gratuitas para toda a comunidade e servirão para assegurar a inclusão necessária para esses. Como também, autoridades governamentais de todos os municípios, devem levar palestras e debates que estimulem o interesse em atividades esportivas para as escolas, para que as crianças e adolescentes passem a ter esse conhecimento prévio. Espera-se, com essa ação, o controle desse problema, com aumento de atletas na sociedade.