O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 02/12/2020
A Constituição Federal de 1988 tipifica as práticas desportivas formais e não-formais como dever do estado e direito de todos. No entanto, na sociedade brasileira, muitos ainda são os entraves para garantir a efetivação de um esporte que seja, de fato, inclusivo e cumpra seu dever social na sociedade. Nesse sentido, deve-se analisar como a ascensão socioeconômica e a inserção de pessoas deficientes influencia nessa questão.
Em primeira análise, é importante destacar que o esporte cumpre um papel importante na vida de muitos indivíduos na busca por melhores condições de vida. Isso se mostra evidente na história de muitos esportivas profissionais, entre eles, Neymar – famoso jogador de futebol da seleção brasileira – que saiu de um bairro pobre da região metropolitana de São Paulo para se tornar um dos maiores e mais bem pagos jogadores do mundo. Sob esse viés, a inclusão efetiva dessa prática no Brasil mostra que é possível torná-la um meio de superação econômica e social, tirando jovens e crianças da margem da sociedade e garantindo-as um futuro mais promissor.
Além disso, nota-se a considerável importância que o esporte assume na inserção de indivíduos com algum tipo de deficiência na sociedade. Fato inegável desse ato é o documentário “Paratodos”, que aborda os treinos, ambições e competições de alguns dos principais atletas brasileiros nos jogos Paralímpicos de 2016, bem como retrata o papel transformador que as atividades esportivas assumiram em suas vidas, ressignificando uma vida de dificuldades e preconceitos. Consequentemente, incluir significa garantir que essa prática chegue a todos de maneira igual, sem distinção de qualquer limitação física.
Portanto, fica evidente a necessidade de debater e buscar mais inclusão social do esporte no Brasil. Nesse âmbito, cabe ao governo federal potencializar e destinar maiores verbas para o setor esportivo, por meio da criação de mais clubes, estádios de futebol e ginásios – principalmente nas periferias e escolas públicas – a fim de que todos, sem distinção de renda, classe social, idade e sexo, possam ter acesso a essas práticas. Ademais, as prefeituras devem voltar-se também para as pessoas com deficiências, garantindo que haja lugares adaptados e profissionais treinados para lidar com esse público, que muitas vezes é negligenciado. Só assim, o direito tipificado pela Constituição Federal será, de fato, garantido a todos.