O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 03/12/2020

O filme “ Mais Forte Que o Mundo” retrata a história do lutador José Aldo, o qual vivenciou uma infância miserável no interior de Manaus e, através do esporte, tornou-se um dos mais importantes atletas brasileiro. De maneira análoga, o Brasil hodierno passa por uma conjuntura, envolvendo a questão do esporte como ferramenta de inclusão social, fato que se deve à elitização dos centros esportivos e à negligência governamental. Logo, é fundamental analisar ambos os problemas a fim de que se possa contorná-los.

Em primeiro lugar, é válido destacar que a elitização dos centros desportivos contribui para exclusão das camadas periféricas. Nesse sentido, de acordo com o sociólogo brasileiro, Sérgio Buarque de Holanda, no livro “ Raízes do Brasil”, a construção dos centros urbanos do Brasil foi baseada em preceitos segregacionista. Desse modo, os moradores das regiões mais afastadas e mais pobres, não possuem acesso ao esporte, visto que a maioria dos centros e instituições esportivas se localizam em cidades mais avançadas, assim como defendia Buarque de Holanda. Dessa maneira, essa situação causada pela separação social e regional, colabora para exclusão dessa parte da população.

Outrossim, vale ressaltar a inércia do aparato estatal brasileiro no que tange à falta de iniciativas para tornar as medidas esportivas integrativas e eficaz. Sob essa ótica, apesar da Constituição Federal Brasileira, promulgada em 1988, garantir o acesso ao esporte como direito constitucional e tutelado pelo Estado. No entanto, diariamente, a Carta Magna é ignorada, pois muitos cidadãos são afetados das práticas desportivas por conta da situação econômica precária dos ginásios e quadras públicas. Assim, não se observam exemplos semelhantes ao do jogador Daniel Alves, que através de ações esportivas promovidas por ONGS nas favelas do Rio, possibilitou uma ascensão social que o tornou um dos melhores atletas do futebol brasileiro. Dessa maneira, é notório o descaso do poder público na universalização e desenvolvimento social do esporte em âmbito nacional.

Portanto, cabe ao Governo Federal, na figura do Ministério da Cidadania e da Cultura, responsável por diversas políticas públicas, deve, por intermédio do capital fornecido pelo Tribunal de Contas da União, construir novos centros de treinamento esportivos, ginásios e quadras públicas, além de reformar as já existentes. Tais construções, devem ter capacidade para a prática de diversos modalidades esportivas, com o fito de incluir e incentivar o esporte para toda população. Além disso, urge que o Ministério da Educação, por intermédio de verbas públicas, incentive e desenvolva a prática esportiva nas escolas estaduais e municipais, por meio da criação de projetos sociais relacionados a essa área. Dessa forma, histórias como a de José Aldo possam se torna comum a realidade tupiniquim.