O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 12/01/2021
O artigo 6° da Constituição Federal, promulgada no ano de 1988, assegura o direito ao lazer e, por conseguinte, ao ofício que está intimamente vinculado a esse mecanismo legal: o esporte. No entanto, no cenário atual, revela-se uma lacuna na efetivação dessa garantia, especialmente no que tange à questão da atividade física. Esse déficit é percebido, sobretudo, por meio de pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as quais apontam que menos de 40% da população brasileira pratica exercícios. Todavia, essa realidade se deve à inatividade governamental, o que gera a elitização do esporte e dificuldade do seu uso como ferramenta de inclusão social.
Mormente, é perceptível que a inação do poder público é um forte empencilho para o progresso. Isso porque, em consonância ao termo “cidadania de papel” do escritor Gilberto Dimenstein, o Estado não cumpre seu dever de efetivar o estatuto supracitado – tornando-o uma mera representação no papel. Com isso, a falta de políticas esportistas includentes - como, por exemplo, aulas de educação física gratuítas - revela a falha governamental em exercer o seu papel. Paralelamente, essa conjuntura acompanha a ideia contratualista do filósofo John Locke, uma vez que o descumprimento dos direitos naturais dos indivíduos, como a utilização dos esportes como fonte de entretenimento e de inserção na comunidade, representa a quebra do contrato entre os cidadãos e o sistema de governabilidade, resultando, desse modo, numa cidadania deturpada.
Outrossim, cabe destacar que essa ruptura estatal ocasiona a desarmonia social. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Sob esse viés, configura-se o caos presente no ambiente desportivo, tendo em vista que as camadas sociais marginalizadas não possuem recursos financeiros para ingressar nesse meio, corrobora-se a vertente sociológica de Bourdieu da necessidade de democratização do esporte, o qual encontra-se em condição elitizada e, consequentemente, de desequilíbrio social.
Portanto, faz-se imperativo que esses entraves sejam solucionados. Logo, urge que o Ministério da Cidadania, órgão responsável pelos programas de assistência à população, execute políticas atléticas, por meio de aulas grátis em associações dos moradores, de modo que atinjam tanto o público jovem, quanto idoso. Ademais, esses encontros devem ser ministrados por educadores físicos, ao aplicar os esportes especializados para cada faixa etária, a fim de mitigar a exclusão. Destarte, isso possibilitará que os dispositivos legais sejam efetivados e que prática seja democratizada. Dessa forma, a Carta Magna do Brasil tornar-se-á respeitada.