O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 07/12/2020
Desde sua promulgação em 1988, a Constituição Federal brasileira tornou-se um símbolo histórico da redemocratização do Brasil e tem se destacado no cenário mundial na defesa de direitos sociais básicos como o esporte. No entanto, trinta anos após a entrada em vigor do esporte, as discussões sobre a falta de uma iniciativa para utilizar o esporte como ferramenta de inclusão social ainda atraem a atenção contemporânea. Não há dúvida de que a sociedade precisa entender o esporte como um sistema social e deve estimular o esporte escolar.
Em primeiro lugar vale apontar, de início, que a concepção de que o esporte é apenas instrumento de entretenimento e distração ainda é muito presente no país. No entanto, cumpre destacar o papel social que o esporte desempenha na humanidade. Nesse sentido, evidencia-se que a prática esportiva promove a socialização e a absorção de valores, conhecimentos, padrões de conduta e normas que não estão presentes na consciência individual, mas sim dispersos na própria sociedade. Desse modo, eles se tornam presentes na vida dos indivíduos mediante o esporte. Essa análise encontra respaldo sociológico na noção de Instituição Social por Émile Durkheim, que a define como encarregada de fazer com que os indivíduos internalizem tais valores e normas, a fim de que seja possível a vida em sociedade. Logo, nota-se que, para além de sua função de divertimento, o esporte é uma instituição social.
Por conseguinte, é preciso acrescentar que, em um país, a exemplo do Brasil, onde a desigualdade social é extremamente acentuada, as camadas populares podem encontrar no esporte uma forma de integração na sociedade. Nesse contexto, percebe-se a importância das escolas em garantir projetos esportivos, visando fornecer todos os conhecimentos e oportunidades proporcionadas pelo esporte, uma vez que, segundo o pensamento do sociólogo Edgar Morin acerca da educação, a escola seria o espaço perfeito para se dar início a uma transformação dos paradigmas.
Portanto, diante do exposto, é imprescindível a adoção de medidas que visem assegurar que o esporte seja um mecanismo de interação e integração social. Assim, faz-se necessário que a Secretaria de Cultura, por meio da ANCINE, priorize em seus editais de chamada pública, projetos que tematizem a função social das práticas desportivas, com o fito de demonstrar à sociedade como o papel do esporte está além do entretenimento. Ademais, urge que o Ministério da Educação, por intermédio de verbas públicas, incentive e desenvolva a prática esportiva nas escolas estaduais e municipais, por meio da criação de projetos sociais relacionados a essa área. Com efeito disso os usuários terão melhor qualidade de vida.