O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 09/12/2020

No carnaval carioca de 2016, a escola de samba União da Ilha do Governador levou à avenida Marques de Sapucaí o enredo olímpico que convidava os atletas e turistas ao Rio de Janeiro durante os jogos. Paralelo a isso, a comemoração nacional com o anuncio da escolha do país como sede evidencia a popularidade do esporte. Entretanto, é preciso analisar a fundo a sua importância a fim de diminuir o desamparo estatal com os atletas para que o esporte torne-se uma ferramenta efetiva de inclusão social no Brasil.

Em primeiro lugar, é preciso observar a questão de maneira pragmática. Os valores olímpicos e paraolímpicos como amizade, coragem e determinação são legados relevantes para as crianças e atletas que sonham em chegar até a competição. Marta, a jogadora brasileira de futebol teve sua vida transformada pelo esporte e saiu de uma infância pobre no interior do nordeste para ser eleita 5 vezes a melhor do mundo pela FIFA. Todavia, mesmo consagrada, a multicampeã sempre faz questão de denunciar o abismo salarial entre os homens e mulheres no esporte, além das más condições de treinamento, a jogadora ainda afirma que isso desestimula os jovens atletas, principalmente as mulheres.

Ademias, evidencia-se a reponsabilidade governamental no impasse. Segundo o filósofo Michel Foucault, a função do Estado é maximizar o bem-estar da população. Sob tal ótica nota-se que mesmo os times brasileiros de diversas modalidades alcancem resultados expressivos, na base, a situação é de desamparo, haja vista as péssimas condições dos Centros De Treinamento (CT), além do abandono do governo com os atletas que muitas vezes não tem acesso a salário e moradias dignas, impossibilita que o esporte seja uma ferramenta de inclusão social.

Logo, nota-se que o esporte é de fundamental importância e tem poder transformador por meio de seus valores, porém, o desamparo impede que ele seja uma ferramenta eficiente de inclusão social, desse modo, a fim de torna-se mais útil, medidas são necessárias. Para tanto, é dever do Estado, na figura de Ministério da Educação, a implementação de projetos nas escolas com o “Bom de bola, bom de escola” que tem como objetivo incentivar a prática esportiva atrelada a educação e tem resultados benéficos para o aluno que, mesmo que não se torne um atleta profissional, terá valores consolidados como a disciplina, facilitando as relações sociais futuramente. Outrossim, as secretarias municipais do esporte devem investir em melhorias nos CT´s para que os atletas tenham melhores resultados e construção de quadras públicas para que o esporte seja democratizado e cumpra seu papel de inclusão social.