O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 17/12/2020

De acordo com o livro Desafios da Nação, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ao longo de toda a história brasileira, diversos entraves foram encontrados na tentativa de desenvolvimento da nação. Infelizmente, dentre eles, destaca-se, devido à sua recorrência na conjuntura atual, entraves para consolidação do esporte como ferramenta de inclusão social. Nesse contexto, a partir de uma análise desse impasse, percebe-se que ele está vinculado não só a falta de conhecimento, mas também a inoperância estatal frente a questão.

A princípio, a falta de conhecimento é a principal responsável por esse imbróglio. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam um fraco entendimento a respeito do mundo. De forma análoga, nota-se que a sociedade brasileira se encontra com sua visão reduzida, visto que não compreende a importância do esporte como ferramenta inclusiva e que possibilita grandes vantagens ao indivíduo, pois mediante a prática esportiva, ensina-se ao indivíduo caraterísticas básicas ao convívio social, a exemplo de resiliência e empatia. A esse respeito, vale fazer referência às Paraolimpíadas (Olimpíadas com participação de deficientes físicos, sensoriais e mentais), que permite a integração de pessoas com dificuldades corporais.

Outrossim, o descaso do Estado contribui para a perpetuação dessa mazela. Segundo a filósofa Hannah Arendt, o espaço público deve ser preservado para assegurar as condições da prática do esporte e da cidadania. Dessa modo, sem o suporte do Estado, o cidadão é prejudicado. Esse aspecto está presente de maneira decisiva na realidade brasileira, uma vez que há falta de investimentos, por exemplo, nas praças públicas e escolas - em que não existe espaços ou quadras esportivas, matérias e profissionais qualificados que ensinem e estimulem a sua prática -, o que acaba por dificultar a adesão por partes da população. Por consequência, de acordo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 123 milhões de brasileiros não são adeptos a nenhum esporte.

Portanto, é necessário que a Secretaria Especial da Cultura, em parceria com a iniciativa privada, amplie, por meio de verbas governamentais, as ações destinadas à promoção do esporte, investimentos em infraestrutura e em capital humano, tanto nas escolas como em comunidades .Tais ações devem ser realizadas em todo território nacional – sobretudo para que o esporte seja uma realidade na vida de pessoas com necessidades especiais – a fim de tornar o esporte uma prática cotidiana de acesso à população, visando o bem-estar social e auxiliar na compreensão do esporte como ferramenta de inclusão social. Logo, a aplicação dessas medidas serão capazes de superar os desafios da nação inerentes carência da prática esportiva.