O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 17/12/2020

O ativista Nelson Mandela defende que o esporte é a língua que todos entendem, desse modo, é possível inferir a relevância do esporte na relação social do ser humano. Analogamente, o Brasil se distancia dessa ideia à medida que se evidencia o incentivo e o financiamento apenas a esportes sem acessibilidade no país. Nessa perspectiva, surge o debate relacionado à inclusão social nos esportes devido a dois fatores: a baixa visibilidade dessa esfera na sociedade e a negligência do Estado frente à problemática. Dessa maneira, faz-se necessário o debate acerca dessa pauta.

Em primeiro plano, evidencia-se que é decrescente o número de deficientes no esporte, uma vez que não é concedida a devida atenção ao assunto. Essa afirmação pode ser confirmada a partir dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde foram registrados que apenas 2% dos deficientes praticam algum tipo de esporte. Dessarte, percebe-se que este é um problema silenciado, uma vez que não há uma ampla divulgação midiática de incentivo, por exemplo. Esse fato leva à concepção de que os deficientes não têm relevância suficiente nos esportes do Brasil, realidade que, inclusive, diverge do ideal defendido pelo filósofo Tomás de Aquino, que diz: “todas as pessoas de uma sociedade democrática têm a mesma importância”. Logo, urge que o problema tenha mais visibilidade para ser resolvido.

Outro ponto importante é a insuficiência do poder público, no que se refere ao financiamento de rampas nos ginásios poliesportivos obedecendo às normas de acessibilidade. Em vista disso, cabe inferir o Contrato Social, proposto pelo sociólogo John Locke, o qual reitera a responsabilidade do Estado em fornecer o bem-estar coletivo. Diante dessa premissa, posto que os governantes brasileiros não promovam medidas que visem evitar ou solucionar a questão da inclusão nos esportes, os deficientes que querem praticar esportes experimentam a agonia, então, se encontram longe do estado de plenitude, verifica-se, portanto, uma deplorável divergência entre o Contrato de Locke e o governo brasileiro.

Logo, a partir dos argumentos mencionados, é imprescindível que o Ministério do Esporte, em parceria com ONGs, crie projetos que visem mitigar o problema. Com base nessa premissa, é primordial que, por intermédio de propagandas midiáticas, ocorra o incentivo à prática de esportes por deficientes em conjunto com transmissão de jogos a fim de motivá-los a praticar alguma modalidade. Para mais, recorrendo novamente às mídias, é essencial a divulgação de métodos de segurança para praticar determinado esporte com o objetivo de atingir uma inclusão social nos esportes segura e para todos.