O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 16/12/2020

Numa sociedade vetusta, durante a Grécia Antiga, foi inventada as competições olímpicas que reuniam vários atletas das polis vigentes. Nesse contexto, as atividades esportivas eram vistas como arte e forma de demonstrar as habilidades físicas. Hodiernamente, percebe-se que o papel do esporte também pode ser atrelado à inclusão social, porém nem sempre tal potencial é posto em prática. Assim, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro, destacam-se o subfinanciamento de projetos, bem como a falta de acessibilidade e a influência criminal.

Decerto, a ausência de políticas públicas de larga escala impede que o papel de assistência desportiva seja realizado. Sob tal ótica, segundo o professor da universidade Unicamp Leandro Carlos Mazzei, os cortes no programa “Bolsa Atleta” em 2018 e a redução dos patrocínios de estatais no início de 2019 evidenciaram que o Ministério do Esporte não possui orçamento capaz de suprir todas as necessidades brasileiras. Dessa forma, a falta de investimentos no setor esportivo impossibilita a inclusão social, uma vez que a criação de projetos é minimizada e nem todos os indivíduos possuem acesso à esportes de forma autônoma. Consequentemente, nota-se que o dever constituinte do Estado em fomentar práticas desportivas é violado pelo destino insuficiente de recursos.

Paralelo a isso, percebe-se que muitas regiões não possuem suporte esportivo e, além disso, há muita influência do mundo do crime. De maneira análoga, o filme “Um sonho possível”, dirigido por Jonh Lee Hancock, aborda a vida de Michael Oher, um jovem morador de uma região com altas taxas de criminalidade. A trama ainda expõe, após a descoberta de sua vocação como jogador de futebol americano, a mudança de vida do protagonista. Entretanto, fora do ambiente ficcional, fica evidente que nem todas as comunidades tupiniquins são contempladas com alguma ferramenta esportiva. Por conseguinte, os jovens -sobretudo- sem assistência social são aliciados pela marginalidade.

Destarte, frente a provectos fatores estatais e sociais, a adesão do esporte como mecanismo de justiça social é barrada. Portanto, o Ministério da Fazenda, como instância máxima dos aspectos financeiros, deve disponibilizar mais recursos no tocante à realização de mais projetos comunitários ligados ao bem físico e mental. Ademais, cabe ao Ministério do Esporte, órgão de maior jurisdição do setor, desenvolver mais políticas públicas desportivas, além de ampliar as redes de atuação das mesmas. Essa ação deve ser feita por meio da instalação, nas escolas de todo Brasil e nas regiões com taxas elevadas de criminalidade, de clubes olímpicos, a fim de garantir a justiça social e diminuir o aliciamento de indivíduos através do desporto. Somente assim, a realidade exposta em “Um sonho possível” será vivida no Brasil.