O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 17/12/2020

Na telenovela brasileira “Totalmente demais” é apresentada uma escola, na qual um novo professor de educação física muda a vida dos estudantes por buscar a participação deles em atividades, transformando alguns em atletas profissionais. Lamentavelmente, esse cenário não é comum fora da ficção na realidade brasileira. Sendo assim, no que tange à questão da inclusão social através do esporte, seja pela infraestrutura defasada das escolas, seja pela dificuldade em custear a permanência, percebe-se a configuração de um grande problema, o qual carece de um olhar mais crítico de enfrentamento.

Convém ressaltar, a princípio, que o “berço” da maioria dos atletas profissionais é a escola, incluindo-os na sociedade por meio do esporte, porém elas não têm o devido amparo para sua longevidade. Nessa perspectiva, a máxima do filósofo Thomas Hobbes de que “o Estado surgiu para organizar, administrar e controlar a sociedade” é anulada completamente. Esse pensamento ilustra o comportamento ideal do governo, o qual cai por terra quando não há impulsionamento na restauração das escolas. Por isso, é indubitável que uma instituição capaz de formar atletas profissionais, na teoria, consiga de fato essa realização por meio de suas instalações precárias.

Sob outra perspectiva, a inclusão social por meio do esporte encontra dificuldade na falta de recursos para a permanência do esportista. Isso acontece porque grande parte dos atletas que se dedicam ao esporte são de famílias carentes, que não podem custear os equipamentos, moradia, alimentação e transporte. Nessa lógica, quando o atleta, na maioria das vezes ainda jovem, não consegue prosseguir no caminho das atividades esportivas, ele fica suscetível aos problemas de uso de drogas e violência. Assim, é evidente que a falta de artifícios para a continuidade da prática de esportes gera uma lacuna que incide sobre a vida do indivíduo.

Diante do exposto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Governo Federal, instituição responsável pelo bem comum, em parceria com as secretarias de esporte municipais, deve promover melhorias na infraestrutura das escolas, assim como criar pequenos centros de treinamento de diversos esportes, por meio do aumento de verba no setor equivalente. Do mesmo modo, essas instituições de poder devem garantir a permanência das pessoas nos centros de treinamento, por meio de auxílios, que irão custear as despesas, a fim de realocar, sobretudo, o jovem brasileiro, que nem sempre encontra oportunidades no mundo real. Só assim, da mesma forma que na telenovela, teremos o esporte funcionando como ferramenta de inclusão social.