O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 18/12/2020

Historicamente, o advento dos Jogos Olímpicos, na Grécia Antiga, representou a importância do esporte como ferramenta de incentivo a interação entre os diferentes povos. Entretanto, é fato que a precariedade das instituições de representatividade esportiva, no Brasil, tende a distorcer o papel desse aparato, já que inviabiliza a inclusão das pessoas no meio social. Nesse contexto, a ausência de verbas por parte do poder público, atrelada a uma sociedade de ideal sedentário propende a inviabilizar a expansão desse progresso no País. Logo, nota-se um processo de segregação socioinstitucional.

É pertinente abordar, a priori, que a inserção dos Jogos Paralímpicos no calendário esportivo mundial, em 1960, contribuiu para expansão do conceito de cidadania e, ao mesmo tempo, estimulou o crescimento da noção de solidariedade e respeito as diferenças do outro. Contudo, a exiguidade assistencial do Estado brasileiro tem restringido o papel do esporte, posto que diversos projetos deixam de receber incentivos financeiros e visibilidade midiática e, com isso, limita suas ações e, também, impossibilita o seu funcionamento por longos períodos, dessarte, acarretando o fim do programa. Ademais, é evidente que o estágio sedentário da população do Brasil tem auxiliado para esse descaso, visto que a incapacidade dos cidadãos em reivindicar seus direitos constitucionais possibilitam uma maior comodidade do governo e, assim, aumento o desprezo por esse dispositivo de inclusão.

Por conseguinte, elucida-se que as práticas esportivas favorecem no combate ao crime, sobretudo, em periferias, dado que tal aparato demonstra aos jovens uma nova realidade fora da criminalidade que faz-se presente nesses locais, exemplo disso está a judoca medalhista olímpica Rafaela Silva, que buscou novas perspectivas de vida fora daquele ambiente. Do mesmo modo, o esporte estimula o desenvolvimento da condição física e mental das pessoas e, também, a moralidade da sociedade, uma vez que desconstrói um corpo social marcado pela fragilidade das relações interpessoais. Dessa maneira, ratifica-se que a omissão estatal pende a comprometer as diretrizes da Carta Magna de 1988.

Depreende-se, portanto, que a inaptidão do governo tem cooperado para a desconstrução do papel social do esporte. Nesse sentido, o Ministério da Cidadania, por meio de maiores investimentos financeiros, procure ampliar a sua atuação nas instituições de ensino e, também, expandir suas contribuições e parcerias com projetos não governamentais. Isso tudo, mediante a capacitação de profissionais que auxilia em uma maior interação entre as pessoas e, dessa maneira, eliminar possíveis barreiras físicas e sociais no ato esportivo, bem como difundir projetos que busquem ofertar esse benéfico a todos os cidadãos brasileiros. Destarte, torna-se a sociedade mais igual e oferece novos horizontes aos indivíduos, assim como o de Rafaela Silva.