O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 20/12/2020

Se fosse possível fazer uma pesquisa com crianças sobre qual carreira elas gostariam de seguir quando fossem adultas, pelo menos metade dos entrevistados escolheria jogador de futebol. O fascínio que o esporte desperta, especialmente nos mais mais jovens, pode ser a porta de entrada para transformações, não só no âmbito individual, mas também social. Entretanto, o destaque maior vai para o futebol masculino, enquanto muitas outros modalidades sofrem com o abandono.

Na série “Cobra Kai”, Rob é um garoto problemático que muda completamente após aprender sobre disciplina, responsabilidade e controle por meio do karatê ensinado por Daniel-san. Fora do campo ficcional, a história da jogadora de basquete, Bianca Araújo, é mais um exemplo do efeito transformador que o esporte tem quando dá acesso à pessoas que estão a margem da sociedade. Bianca começou como catadora de lixo aos sete anos, mas aos dezoito é pivô da seleção brasileira de basquete.

Toda via, mesmo com um papel tão importante, muitas modalidades não recebem o financiamento mínimo que precisam e muitas oportunidades são perdidas. O único esporte que é televisionado na TV aberta, duas vezes por semana, no Brasil, é o futebol, são poucas as notícias em destaque que transmitem informações sobre outros esportes fora do período das olimpíadas. Isso demonstra o sucateamento refletido pelo abondono privado e estatal das outras modalidades esportivas.

Em suma, ações precisam ser tomadas para que o alcance e a eficácia do esporte enquanto ferramenta social seja ampliado. A priori, é papel do Estado incentivar iniciativas que visem cativar a parcela mais carente da população, criando e melhorando  programas voltados para o desenvolvimento de práticas esportivas variadas. A posteriori, a mídia deve dar mais visibilidade às modalidades, podendo ser uma vitrine para patrocinadores, isso seria de grande valia para trazer aos holofotes outros caminhos além do futebol.