O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 24/12/2020

A Constituição Federal assegura as práticas desportivas como um direito individual dos cidadãos. Contudo, esse item é assolado constantemente devido aos altos índices de exclusão no mundo dos esportes, que impossibilitam a ascensão social e promovem a perpetuação da pobreza, e é motivada por diversos fatores. Dentre eles, a falta de preparo das aulas de educação física, que não incluem os grupos minoritários, e a negligência estatal, que não conta com medidas de promoção esportiva. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas.

A princípio, é válido salientar que de acordo com a historiografia, as aulas de educação física, chamadas de ensino do movimento corporal, começaram a ser inclusas na rede escolar desde o II Reinado, e perpetuam até o hodierno. Contudo, mesmo amplamente conhecidas, essa disciplina torna-se segregacionista, uma vez que não conta com atividades que visem incluir grupos minoritários, como os deficientes físicos, o que os deixa excluídos das práticas esportivas, e impossibilita o desenvolvimento de suas habilidades físicas. No filme brasileiro “Paratodos”, é contada a história dos atletas paraolímpicos nas Olimpíadas de 2016 no Brasil, e como eles enfrentam todos os preconceitos e obstáculos para se inserirem no mundo dos esportes.

Outrossim, a filósofa Hannah Arendt em seu arcabouço de banalidade do mal diz “O Estado negligencia situações problemáticas na sociedade”. Desse modo, essa teoria aplica-se ao cenário brasileiro no tocante à exclusão desportiva, haja vista que sendo uma realidade, a máquina pública não conta com medidas que visem promover jogos e campeonatos e estimulem à prática esportiva, de modo a permitir o progresso aos grupos mais vulneráveis. Como, a título de exemplo, Ronaldo Nazário, o Ronaldo Fenômeno, que era morador da periferia e ascendeu socialmente por meio do futebol, jogando sua primeira Copa do Mundo aos 17 anos e ficando imune às mazelas da sociedade, o que evidencia que quando a banalização é regra, a ascensão é exceção.

Por conseguinte, compete ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, aprimorar as aulas de educação física com materiais e atividades recreativas apropriadas e inclusivas, de modo a garantir a constante participação dos portadores de deficiência. Do mesmo modo, cabe aos governos estaduais, em parceria com as Secretarias de Esporte, a criação de campeonatos nas periferias e áreas mais vulneráveis das cidades, para além de servir com entretenimento, dar visibilidade aos jogadores, com o fito de diminuir a adesão à criminalidade e proporcionar a ascensão social. E só assim, com medidas graduais e progressivas, garantir o esporte como ferramenta de inclusão social e fazer valer a Carta Magna de 1988.