O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 03/01/2021

A Constituição federal de 1988, norma de maior hierarquia no ordenamento jurídico nacional, prevê como dever do Estado o fomento de práticas esportivas, inclusive como forma de promoção social. Contudo, tal previsão não condiz com a realidade, uma vez que o direito estampado na Carta Magna brasileira se traduz em privilégios para poucos. Diante desse cenário, torna-se essencial o debate do esporte como forma de inclusão, sua faceta como fator social transformador e a tímida atuação estatal no tratamento do assunto.

Em primeira análise, deve-se destacar que o esporte possui um enorme potencial transformador por meio da inclusão social, prevenindo e recuperando jovens da marginalidade. Exemplo dessa capacidade foi estampado no filme “Coach Carter – Treino para a Vida”, no qual o treinador utiliza o basquete para fazer com que alunos, antes considerados desajustados, sejam vencedores tanto nas quadras como na vida. Nesse sentido, é fundamental o desenvolvimento do desporto escolar, pois ele atrai a atenção dos estudantes e converge suas energias para ações positivas, por intermédio da disciplina, da dedicação e do respeito às regras. Desse modo, o Brasil precisa adotar corajosas práticas educacionais relacionadas ao esporte, já que ele é capaz de transformar em cidadãos os indivíduos que antes estavam excluídos da sociedade.

Em segunda análise, é fulcral discutir a ineficácia estatal no tratamento do assunto, já que o Estado investe pouco no desporto educacional, sendo esse fundamental para alcançar a inclusão social, o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua formação para o exercício da cidadania. Nesse contexto, segundo o levantamento realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apenas 0,58% das escolas brasileiras possuem a distribuição do tempo e do espaço apropriada para a prática de atividades físicas. Dessa maneira, resta comprovado que o poder público atua de forma tímida e irresponsável, pois é omisso em seus deveres constitucionais e retira investimentos em áreas essenciais à formação de uma sociedade coletiva.

Portanto, é mister que atitudes sejam tomadas para alavancar o esporte como forma de inclusão na sociedade brasileira. Para isso, o Estado deve, por meio de debates, de verbas governamentais e de participações diretas das comunidades locais, criar instalações esportivas em escolas e em áreas públicas, de forma a incentivar seus usos como ferramentas inclusivas. Ademais, parcerias público-privadas devem ser fomentadas, para o acolhimento e a conservação desses locais por pessoas jurídicas interessadas em programas sociais. Dessa forma, será possível construir uma sociedade mais inclusiva e participativa, conforme os preceitos expostos na Carta Cidadã.