O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Na saga “Harry Potter”, da escritora britânica J. K. Rowling, é abordado como o quadribol, um esporte praticado pelos bruxos de Hogwarts, foi importante para a integração social de Harry entre os outros membros da casa Grifinória. Sob essa óptica, o esporte, no Brasil contemporâneo, se apresenta como uma grande ferramenta de inclusão social, uma vez que inúmeros atletas vieram das periferias e apresentam grande desempenho apesar das dificuldades relacionadas à baixa renda. Entretanto, este potencial transformador é negligenciado haja vista o baixo investimento estatal na formação de atletas e a precariedade das áreas esportivas públicas.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o Governo não promove um investimento adequado no esporte como ferramenta social. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. No entanto, é possível perceber que, no Brasil, as áreas públicas destinadas às práticas esportivas são extremamente desgastadas e sem manutenção adequada. Dessa forma, os jovens atletas tendem a buscar iniciativas privadas, que, muitas vezes, não garantem oportunidades para seguir carreira pois não são acessíveis financeiramente, sendo raros os casos de sucesso. Por conseguinte, torna-se evidente o não aproveitamento do potencial transformador do esporte quando não acompanhado de um auxílio estatal.

Outrossim, é fundamental apontar a precariedade das áreas esportivas públicas como impulsionador do problema. De acordo com o Censo Escolar 2015, seis em cada dez escolas públicas de educação básica do país não contam com quadras esportivas. Diante disso, é notório que os estímulos das virtudes como determinação, trabalho em equipe e respeito, que pode ser despertado através do esporte, não perduram na sociedade, visto que as prática esportivas nas escolas garantem que os jovens tornem-se assíduos e melhorem seu desempenho acadêmico por amor ao esporte. Desse modo, o incentivo ao esporte proporciona uma diminuição nas taxas de evasão escolar e no número de jovens que se submetem ao crime e às drogas. Logo, infere-se que não só como fonte de entretenimento, este manifesta-se como uma grande zona de influência educacional nos jovens.

Urge, portanto, que a Frente Parlamentar do Esporte - trata-se de uma associação suprapartidária de integrantes do Poder Legislativo do Brasil que atuam na proteção dos direitos dos atletas e acompanham a tramitação de propostas relacionadas ao tema -, por meio de ações de pro testos na Câmara, pressione o Parlamento para a criação de leis que garantam o acesso ao esporte nas escolas e invistam na formação de atletas, a fim de ampliar o acesso ao esporte e reduzir problemas como a criminalidade e a evasão escolar.