O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Na mitologia Grega, a deusa Nike simboliza o esporte ao personificar a força, velocidade e a vitória. Fora dessa visão mitológica, a prática esportiva não perde sua importância, especialmente como ferramenta de inclusão social, ao se fazer uma análise da violenta perspectiva histórica brasileira, mesmo que, por vezes, o esporte seja duramente afetado pela displicência estatal. Posto isso, faz-se relevante uma análise mais aprofundada acerca do tema.

Ressalta-se, a princípio, o indiscutível papel inclusivo da capoeira durante a colonização brasileira. Sobre isso, é sabido que o processo colonizatório foi brutal para diversos povos, entre eles os escravos, fadados à desumanidade e à indiferença. No entanto, como forma de resistência e lazer, surgiu a capoeira, uma dança a qual integrou povos de diferentes costumes e tornou-se patrimônio cultural imaterial da humanidade pela UNESCO. Sob essa ótica, não só evidencia-se o esporte na luta histórica dos negros no Brasil, mas também destaca-o como um pilar indispensável para a inclusão social na atualidade.

Outrossim, é indispensável pontuar o prejuízo social pela ineficiência estatal em prover, democraticamente, o esporte - limitando sua inclusão. Nesse aspecto, exemplificam-se o subfinanciamento e a decadente estrutura presente em substancial parcela do ensino regular público do país - situação comumente denunciada por ONGs e pela mídia. Com efeito, afigura-se um ambiente impróprio para o desenvolvimento das práticas educativas de milhões de jovens, inclusive a educação física, o que leva a uma precária iniciação aos esportes. Salienta-se, assim, uma inconsequente e incoerente postura estatal, análoga aos preceitos de “Instituição Zumbi”, do erudito Bauman, no sentido do Estado não se fazer suficientemente presente.

Em suma, são fundamentais ações funcionais para fortalecer a prática esportiva. Convém que o Ministério da Educação e as Secretarias Estaduais e Municipais, em parceria intersetorial, promovam um plano nacional voltado ao desenvolvimento do esporte inclusivo e democrático. Isso pode ser feito a partir da alocação de maiores verbas para os municípios, junto a um cronograma com um plano de metas para o uso transparente desses recursos, que deve ser discutido na definição da Lei Orçamentária Anual, mas os quais diversifiquem as práticas com danças e esportes olímpicos. Assim, buscar-se-á um Brasil mais inclusivo e saudável, análogo às virtudes da deusa Nike.