O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 12/01/2021
No drama “Um sonho possível”, é revelada a realidade de Michael Oher, jovem negro marginalizado que, com a ajuda de uma desconhecida, Leigh, consegue alcançar seu sonho: se tornar um jogador de futebol americano profissional. Paralelamente, no Brasil, é evidente a importância do esporte na inclusão social, uma vez que ampara os cidadãos e os integra à sociedade. Logo, torna-se substancial a análise do panorama supracitado e da ineficiência da ação do Estado na conjuntura nacional vigente.
Em primeiro momento, vale ressaltar que, por intermédio dos esportes, houve a ascensão de talentos originados nas periferias e o melhoramento na qualidade de vida desses indivíduos. Sob tal ótica, destacam-se Gabriel Jesus, atual jogador de futebol, e Rafaela Silva, medalhista de ouro das Olimpíadas de 2016 na modalidade judô, os quais vieram de comunidades carentes e descobriram, com o esporte, uma forma de reverter o cenário prejudicial em que se encontravam, visto que, devido à aptidão esportiva, se tornaram exemplos nacionais de superação. Com isso, explicita-se a grande dimensão que o esporte detém nas transformações sociais.
No entanto, a atuação do Estado vê-se insuficiente perante a democratização das atividades esportivas à massa civil de baixa renda. Assim, observa-se a falta de infraestrutura para prática esportiva nas periferias, como quadras de futebol, além da elitização de ambientes destinados aos jogos e campeonatos nacionais, uma vez que são localizados nas áreas mais ricas e badaladas das cidades, o que dificulta o acesso, por parte da população carente, a esses eventos. Dessa maneira, o conceito de “Contrato Social”, do filósofo John Locke, é violado pelo governo, visto que não garante o direito ao lazer à população como um todo. À vista disso, faz-se necessária ação para mitigar entrave.
Depreende-se, portanto, que a inclusão social no esporte é de importância significativa no desenvolvimento da nação e, por isso, deve ser mais valorizada. Para isso, cabe ao Estado, em conjunto com o Ministério da Educação, investir capital em projetos nas escolas públicas, nos quais seria incentivada a prática esportiva, por meio de campeonatos e jogos relacionados à várias modalidades esportivas, tais como vôlei, futebol e natação, além de oferecer aulas àqueles que desejam aprender algum esporte. Ademais, parte da verba deve ser destinada à melhoria na infraestrutura de espaços poliesportivos públicos e à construção de novas unidades de lazer e esporte, como clubes gratuitos, a fim de integrar todo corpo social nas atividades esportivas. Quiçá, desse modo, o futuro tornar-se-á provido de real ordem e progresso.