O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 14/01/2021
A origem das práticas esportivas remete ao período histórico da Grécia Antiga e relaciona-se com a valorização estética característica dessa civilização. Hodiernamente, entretanto, tais atividades são importantes em todo o mundo, a partir de diversos aspectos que transcendem apenas a beleza corporal. Nesse contexto, destaca-se seu potencial como ferramenta de inclusão social, para o qual, todavia, existem entraves no Brasil. Assim, observa-se a ausência de adaptações para deficientes e de projetos organizados nas escolas.
Em primeiro plano, vale ressaltar a injusta falta de inclusão de pessoas portadoras de deficiências. É nítida, por exemplo, a carência de quadras, redes e bolas adaptadas nas escolas, além da desvalorização das modalidades que abrangem tais indivíduos - como os jogos paralímpicos. Nesse viés, a conjuntura nociva em questão vai de encontro à Constituição Federal de 1988, uma vez que há nela a garantia do direito ao lazer e à prática esportiva a todos os cidadãos, o que não reflete a realidade. Dessa forma, ao dificultar a inserção social de um grupo minoritário, esse cenário torna-se inadmissível.
Ademais, cabe expor o precário incentivo e estabelecimento de projetos esportivos nas escolas brasileiras, pois jovens pobres perdem a oportunidade de descobirem seus talentos e alcançarem vidas melhores - como ocorreu com Ronaldo Fenômeno, por exemplo. Com isso, o governo age como uma “Instituição Zumbi” - conceito do filósofo Zygmunt Bauman - ao demonstrar inutilidade e ociosidade perante sua função de fornecer tais atividades nas instituições de ensino. Desse modo, a realidade em questão é inaceitável, já que impede a ascensão social e o contato com o esporte.
Evidencia-se, portanto, que o esporte possui forte potencial de inclusão social, contudo, tal ideal ainda enfrenta obstáculos. Logo, a fim de combater esses entraves, urge que o Estado - instituição responsável pelos direitos do povo - promova inserção e valorização do atletismo para deficientes, em conjunto com o incentivo das práticas físicas aos estudantes. Isso deve ser feito por meio do investimento nas modalidades adaptadas e da criação de projetos acessíveis em todas as escolas do País. Dessa maneira, é possível aproveitar plenamente os benefícios desse hábito herdado da Grécia Antiga.