O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Os Jogos Olímpicos têm sua origem, historicamente registrado, ainda no contexto de Grécia Antiga, em que apenas os ditos cidadãos - uma parcela pequena da sociedade - tinham o direito de participar. Ao trazer para os tempos atuais, a prática do esporte é um direito de todos, principalmente no Brasil o qual garante esse direito por meio do artigo 227 da Constituição Federal. Sob essa ótica, detona-se como o desporte se tornou uma ferramenta de inclusão social na contemporaneidade. Entretanto, entraves como a falta de infraestrutura dos locais poliesportivos e como a falta de incentivo contribuem para que o esporte não se consolide como um meio para diminuir as desigualdades sociais.

Sob esse viés, evidenciam-se as consequências da falta de estrutura dos centros de esportes no Brasil, principalmente para a população deficiente do país. Nesse sentido, os Jogos Pan-americanos - olimpíadas entre jogadores portadores de alguma deficiência - destaca-se como um exemplo de inclusão dos deficientes na sociedade, visto que eles têm a oportunidade de demonstrar que podem atuar normalmente, inclusive no esporte, em vários campos do corpo civil. Entretanto, sem a devida estrutura dos centros poliesportivos - como quadras, redes e bolas adaptadas - os indivíduos deficientes não têm capacidade de se incluírem no esporte, uma vez que suas limitações não são respeitadas pelo espaço público. Dessa forma, o artigo 227 da Constituição Federal é deturpado, visto que não há a inclusão de todos os cidadãos do Brasil.

Soma-se a isso a falta de incentivo do Estado para que as pessoas se apropriem do desporte como meio de ascensão social. Nessa perspectiva, o Índice de Gini - indicador que mede o grau de desigualdade socioeconômica no mundo - estabelece que o Brasil está entre os 10 países mais desiguais mundialmente. Nesse viés, muitas famílias brasileiras poderiam ascender socialmente a partir do contato com o esporte, pois, além dele ser um meio de garantir que as crianças continuem frequentendo a escola, ele ainda dá a oportunidade de esses indivíduos serem contratados por clubes de esportes, como aconteceu com grandes nomes do futebol brasileiro, dentre eles o Ronaldo “Fenômeno” e o Neymar. Com isso, a falta de incentivo contribui com a manutenção da desigualdade.

Conclui-se, portanto, que a falta de estrutura dos centros poliesportivos e de incentivo devem ser solucionados. Decerto, cabe aos governadores de cada estado, em conjunto com o Governo Federal, designar verba para os municípios para a construção e adaptação dos centros esportivos de maneira que assegure que todos os cidadãos possam utilizar esses locais para a prática do esporte, por meio de um Projeto de Lei pautado na Câmara, a fim de consolidar o esporte como uma ferramenta de inclusão. Além disso, o Estado deve incentivar a população à pratica do esporte, para diminuir a desigualdade.