O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 14/01/2021
Os medalhistas paralímpicos brasileiros Àdria Santos e Daniel Dias evidenciam, em si próprios, a importância da prática esportiva para a integração da sociedade. Desse modo, o esporte tem papel de convergente social no Brasil, não somente para com deficientes físicos, mas também em diversos outros grupos. Logo, faz-se vital explicar os motivos pelos quais a atividade influencia comunidades, bem como demonstrar suas aplicações sobre grupos negligenciados.
Diante dessa perspectiva, os valores éticos e comportamentais difundidos pelos esportes influenciam aqueles que os praticam. Nesse âmbito, o futebol, o basquete e outros pressupõem a disciplina, o companheirismo e a habilidade de trabalhar em equipe. Assim, é preciso difundir a prática de desportes coletivos, já que, ao se relacionar pela atividade, as demais pessoas repetem as habilidades mencionadas, lentamente e de modo involuntário. Isso se dá, pois, conforme o psicanalista Heinz Kohut e sua teoria da “Psicologia do Self”, o sentimento de pertencimento a um corpo social é intrínseco ao indivíduo, portanto, as atitudes do grupo reverberam nos demais.
Por conseguinte, há melhora das condições de vida nas camadas marginalizadas, em vista da aplicação dos hábitos esportivos. Sob esse viés, é de demanda social o investimento na Educação Física em escolas públicas, com objetivo de atrair os jovens, e, consequentemente, atenuar a evasão escolar e a criminalidade. Ademais, um Projeto de Lei de 2013 propôs que a prática de esportes por detentos em prisões fosse fator para a redução de suas penas, de maneira semelhante à política vigente para o trabalho e a educação. Como resultado, os presidiários, após soltura, teriam melhor readaptação às normas da moralidade contemporânea.
Infere-se, destarte, que medidas devem ser adotadas para efetivação do esporte como fator de inclusão social. Cabe às Secretarias estaduais de Educação, em conjunto às Secretarias estaduais de Cultura, instituir treinos de futebol, vôlei, basquete e handebol em escolas públicas, que estarão disponíveis gratuitamente a qualquer criança e adolescente da região, mediante cadastro. Tal atitude será realizada, por intermédio de fornecimento dos materiais essenciais e pela contratação de um educador físico. Outrossim, concerne ao Ministério da Infraestrutura contruir campos para desportos nos presídios. Em razão das ações, os jovens de áreas carentes e os ex-detentos, uma vez em liberdade, terão melhores oportunidades na sociedade brasileira. Porquanto, podem surgir outros atletas, talvez tão talentosos quanto Àdria e Daniel.