O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 15/01/2021
A Constituição Federal de 1988, no artigo 217, assegura que é dever do Estado fomentar práticas desportivas como direito de cada um. Todavia, essa cláusula não é posta em prática de maneira eficiente quando se observa a questão do esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil, tendo em vista que a democratização desse lazer como meio de atenuar a segregação ainda apresenta problemas. Isso se evidencia não só pela elitização da atividade lúdica, como também pelo pouco apoio prestado aos deficientes praticantes do entretenimento.
Mormente, é válido ressaltar que o esporte é acessível majoritariamente por cidadãos de classe média e alta. Nessa perspectiva, Gilberto Dimenstein - escritor brasileiro - no livro “cidadão de papel”, afirmou que os direitos constitucionais residem tão somente na teoria. Dessa forma, é notório que ambientes esportivos com boa estrutura disponível para atender toda a população são, grande parte das vezes, disponíveis apenas em bairros nobres. Logo, pessoas da pefiferia acabam segregadas, haja vista que as regiões mais carentes não fornecem estrutura para práticas desportivas. Assim sendo, evidencia-se a necessidade de mudar esse cenário e, consequentemente, reverter a realidade afirmada pelo escritor.
Outrossim, o escasso apoio prestado aos portadores de necessidades especiais na atividade física contribui para o agravamento da problemática. Sob essa visão, Karl Marx - cientísta pol[itico - afirmou que a sociedade capitalista prioriza o lucro em detrimento de valores. Nessa lógica, os deficientes praticantes de esportes recebem pouco investimento devido à visão gananciosa do Estado, o qual, diversas vezes, não enxerga retorno financeiro no incentivo desse lazer na inclusão social. Dessa forma, a baixa infraestrutura em ambientes esportivos, com falta de acessibilidade, aliado à ausencia de treinadores para auxiliar portadores de deficiência, dificulta a utilização do esporte como ferramenta de inclusão, algo que necessita ser mudado, pois, o investimento nessa área é essencial para atenuar mazelas sociais intrínsecas no corpo social brasileiro.
Urge, portanto, que as prefeituras em parceria com o governo estadual, por meio de verbas disponibilizadas pela Receita Federal, fornecer ambientes esportivos com boa estrutura nas regiões periféricas, com o fito de democratizar o esporte e promover a inclusão social do indíviduo na sociedade. Ademais, deve tornar esses locais acessíveis para portadores de deficiência, além de disponibilizar profissionais capacitados para ajudar essas pessoas, a fim de atenuar a segregação e incentivar a todos no tecido social. Espera-se, com isso, que direito ao esporte seja posto em prática de maneira eficiente, assim como consta no artigo 217 da Constituição Federal de 1988.