O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 14/01/2021
A Copa do Mundo de Rugby de 1995, com sede na África do Sul, marcou o mundo ao unir brancos e negros em um jogo no meio do chamado “Apartheid”, o qual apresentava uma visão racista de segregação pela cor. Vinte e cinco anos depois, o esporte representa, cada vez mais, uma importante ferramenta de inclusão social. Assim, faz se necessário compreender a importância da atividade esportiva na formação do indivíduo, tal como o papel governamental nessa questão.
Nesse viés, é imprescindível salientar a importância dessa prática para formação dos cidadãos. Consoante Freud, pai da psicanálise, as experiências da primeira infância afetam diretamente o desenvolvimento pessoal. Sob essa ótica, o esporte se apresenta fundamental desde a socialização primária, pois auxilia no desenvolvimento de práticas de trabalho em grupo, além de fomentar o aparecimento de características morais, como a honestidade e o respeito ao próximo nas partidas e na vida. Ademais, o esporte é essencial para a criação de uma sociedade mais igualitária, a exemplo disso, nota-se o jogador Leônidas, da década de 90, o primeiro garoto propaganda negro no Brasil. Logo, é notório o papel desse exercício como formulador de uma sociedade de maior equidade.
Contudo, a ineficácia do governo em promover essa atividade como agente de inclusão perpetua um cenário de marginalização de certos seres. A ineficiência em romper com a visão machista de que muitos jogos não compactuam com as características femininas, assim como a falta de infraestrutura que atenda pessoas com deficiências excluem e inferiorizam esses contingentes. À vista disso, conforme dito pelo sociólogo Erving Goffman, sem o apoio necessário, um sujeito que não se encaixa no padrão normativo enraizado historicamente tende a ser estigmatizado, o que o isola da comunidade e distorce a funcionalidade da ferramenta esportiva. Fica nítido, então, uma ineficiência em garantir a proposta de igualdade para todos, prevista no Art.5 da Carta Magna
Destarte, é inegável a necessidade de medidas que consolidem a inclusão social no esporte de uma vez por todas. Portanto, cabe ao governo, por intermédio do Ministério da Cidadania, promover a inserção de todos de maneira igualitária. Tal ato será concretizado por meio da parceria com o Ministério da Economia, o qual deve disponibilizar parte da verba anual do Plano de Diretrizes Orçamentárias para a construção de infraestrutura que viabilize o acesso de toda população e para a criação de cotas femininas em clubes e equipes. Assim sendo, isso deve ser feito com o fito de estabelecer a homogeneidade do acesso ao esporte e atenuar as disparidades existentes, aproximando-se do espírito de igualdade presenciado na África do Sul em 1995.