O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 15/01/2021

A série “O Gambito da rainha,” exibida pela plataforma Netflix, mostra a protagonista Beth Harmon superando diversos obstáculos, por meio do xadrez. Nesse sentido, uma ficção apresentada coloca em pauta a possibilidade de inclusão pelo esporte. No entanto, essa questão, no que se refere ao Brasil, encontra desafios. Essa realidade se deve, essencialmente, as desigualdades socioeconômicas existentes em sociedade, bem como o descaso estatal quanto aos investimentos bancários para a garantia dessa ferramenta.

Em primeiro plano, pode-se destacar o impacto da disparidade social no acesso dos jovens ao esporte. Nesse ínterim, de acordo com o Índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade em um país, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Nessa lógica, essa cruel disparidade força os adolescentes de famílias carentes a buscar um emprego cada vez mais cedo, para que contribuam com a renda do lar, logo, não há possibilidades de praticar algum esporte e são obrigados a deixar de interagir socialmente. Dessa forma, parte da população, devido sua condição social, é impedida de tter acesso aos esportes, fato que, consequentemente, agrava o entrave exposto.

Outrossim, é preciso pontuar a omissão governamental como fator que valida a persistência da problemática. A esse respeito, a Constituição Federal de 1988, documento mais importante da nação, prevê o direito ao esporte e ao lazer de modo inerente a qualquer cidadão brasileiro. Entretanto, verifica-se que esse ideal encontra-se deturpado no Brasil, uma vez que as quadras de vôlei, os campos de futebol e saladas de jogos de tabuleiro se concentram apenas nos centros das grandes cidades, o que dificulta o acesso à população periférica aos locais esportivos. Desse modo, enquanto o acesso ao esporte não for democratizado, a questão dessa ferramenta como fator de inclusão social será apenas mera utopia.

Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem o quadro. Acerca disso, o Ministério do Esporte, por meio de arrecadaçôes nas mídias, invista nos indvíduos de baixa renda, oferendo-lhes auxílios financeiros, para que os incentive a praticar algum esporte, com objetivo de proporcionar condições igualitárias de acesso a esse meio. Ademais, urge ao Governo Federal, por intermédio de verbas governamentais, promova projetos de inserção pelo esporte, no qual haja a construção de quadras poliesportivas nas regiões mais afastadas das capitais, a fim de democratizar o acesso ao esporte e garantir a inclusão social através deste. Feito isso, tornar-se-ia possível que a realidade de Harmon seja um reflexo do cenário juvenil brasileiro.