O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 24/03/2021
O filme “Nocaute”, de 2015, retrata a mudança positiva proporcionada pelo boxe à vida de Billy, personagem principal da trama. Fora da ficção, na realidade brasileira, o mesmo ocorre na trajetória de muitas pessoas. Isso por conta dos esportes, em geral, funcionarem como uma ferramenta de inclusão social. Assim, entre os principais efeitos promovidos estão o acesso a oportunidades melhores de vida e, consequentemente, redução das taxas do índice de violência entre jovens praticantes.
Em primeiro plano, cabe ressaltar como são gerados os ensejos pelos esportes e ascensão de vida à seus praticantes. Conforme a judoca brasileira Rafela Silva, o esporte é um possibilitador de transformações, visto que a partir dele, ela, por exemplo, conseguiu ascender na vida de forma digna, por meio da superação dos obstáculos e desafios ocorrentes de uma condição socioeconômica desfavorecida, até alcançar um patamar mais elevado. Dessa forma, este exemplo concreto no cenário nacional, confirma o caráter revolucionário dos esportes e sua eficiência em relação as mudanças de vida de pessoas carentes que necessitam de acolhimento por parte do corpo social e do Estado.
Outrossim, a diminuição dos índices de violência se caracteriza como outro efeito provindo do esporte. Segundo dados do Instituto Bola Pra Frente, fundado pelo jogador Jorginho, cerca de 430 jovens são atendidos pelo projeto social, cujo objetivo é atuar contra a crimilidade no Complexo do Muquiço, ao incentivar, por meio do futebol, práticas que têm como princípio o desenvolvimento de valores éticos, da cidadania e, por assim, o respeito com o próximo. Além disso, a educação proveniente no projeto se faz como moldadora, pois, como já preconizado por Nelson Mandela “a educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo”. Nesse sentido, a violência ocorrente nas comunidades é contrariada ao prevalecer as práticas esportivas de cunho socio-educativo.
Portanto, ações que deem continuidade ao feitio inclusivo do esporte no Brasil são necessárias. Cabe ao Governo Federal o repasse de verbas às Secretarias Estaduais de Esporte e Lazer e, por meio delas, a transferência para os municípios para, desse modo, haver o investimento em projetos esportivos regionais já existentes, como também, o planejamento de novos. Sendo assim, no fito de complementar e aprimorar esses projetos para que suceda a ampliação e maior cobertura a fim de receber o máximo de praticantes possível. Além disso, as escolas, em parceria com instituições, devem criar programas para acessibilizar o contato dos alunos, tanto com a prática, quanto com a filosofia dos esportes. A partir dessas medidas, talvez, o domínio do desporto se torne mais abrangente e possibilite mais transformações de vida, a exemplo do personagem Billy, nas telas, e Rafaela Silva, na realidade.