O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 06/05/2021

O clipe da música “País do Futebol”, do cantor MC Guime com participação do Emicita, apresenta a realidade da prática esportiva na massa majoritária da população. Se passando em uma favela, o videoclipe mostra o sonho de muitos meninos de tornarem-se grandes jogadores assim como seus ídolos, visto que vários dos melhores vieram de uma realidade análoga, como o astro atual do futebol, Neymar. A despeito disso, infelizmente, o governo investe pouco em práticas esportivas, levando a uma discussão sobre a falta de iniciativas para que o esporte seja uma ferramenta de inclusão social. Sendo assim, a falha do mecanismo para adaptação da prática esportiva e o descaso estatal, corroboram, gradativamente para a persistência da problemática.

Em primeiro plano, cabe pontuar, que, apesar da Constituição Federal assegurar a prática esportiva e o lazer como direitos sociais à todos, não é isso que observa-se na realidade. Com tudo, a falha desse mecanismo, faz com que as pessoas de baixa renda, deficientes e de classes sociais desprivilegiadas não tenham acesso ao esporte, pois faltam ferramentas, como: quadras, redes e bolas adaptadas para incluir estes indivíduos na prática esportiva. Isso, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, faz com que cerca de 47% dos brasileiros não pratiquem nenhuma modalidade esportiva. Consequentemente, a falta de tal prática gera problemas possíveis de saúde, como o sedentarismo. Ademais, o descaso Estatal, que fere seu dever de garantia dos direitos, deturba a universalização e o desenvolvimento social do esporte em âmbito nacional. Comprova-se isso ao analisar uma recente criação do Ministério do Esporte no país, em 2003, apenas dezoito anos atrás. Dessa forma, observa-se uma quebra no “contrato social”, criado pelo filósofo John Locke, onde o Governo Federal deveria, porém não cumpre, seu papel de garantia dos direitos humanos. Como resultado, a não elucidação desse feito faz com que o acesso ao esporte seja limitado a uma minoria.

Logo, é preciso medidas atenuadoras para a solução do problema. Assim, cabe ao Ministério do Esporte, em parceria com os ministérios da Cidadania e Cultura, e os prefeitos municipais, por meio de verbas do Governo Federal, investir na construção de quadras públicas e ferramentas adaptadas nas cidades de todo o país, permitindo o acesso generalizado. Cabe também, ao Ministério da Educação, junto com escolas públicas e privadas, incentivar à prática de atividades físicas na escola por meio da inserção de uma maior grade de horários destiadas a tal feito. Embora as soluções citadas não resolvam o problema por completo, elas constituem pontos de partida viáveis ​​rumo á uma sociedade cada vez mais includente nas práticas esportivas.