O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 05/06/2021

A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal, ausente de quaisquer formas de conflitos sociais, a partir de uma comparação com sua precária realidade inglesa do século XIX. Analogamente, o cenário brasileiro hodierno é semelhante ao lastimável de More, pois o esporte, com todo seu potencial de inclusão social, ainda apresenta empecilhos, visto que a arcaicidade escolar e a omissão estatal são fatores potencializadores. Torna-se urgente, portanto, a criação de medidas as quais visem à mitigação desses impasses.

É de crucial importância, de início, analisar o teórico papel das escolas de formar valores para a inclusão do indivíduo na sociedade. Desse modo, o pedagogo Paulo Freire, na obra “Pedagogia do Oprimido”, entendia que as metodologias escolares atuais são arcaicas devido à predominância de métodos voltados ao ingresso nas faculdades em detrimento da formação de valores, a exemplo do estímulo ao esporte. Corroborando essa visão, a segregação dos indivíduos, em muitos casos, é por causa da ausência desse valor, uma vez que, na prática esportiva, há interesses semelhantes sendo compartilhados entre os praticantes, o que fomenta a inclusão de indivíduos em grupos sociais. Assim, se essa arcaicidade persistir, a inclusão advinda do esporte continuará não sendo uma realidade.

Outrossim, convém ressaltar a ideia da filósofa Hannah Arendt, no livro “Eichmann em Jerusalém”, a qual dizia a respeito da naturalização de problemáticas e sua consequente banalização. Dessa maneira, o contexto da naturalização da postura omissa do Estado, em relação à promoção de projetos esportivos, como testes gratuitos semestrais em times de esporte, relaciona-se com a ideia de Hannah. Essa realidade é grave justamente porque essa parcela da sociedade, a qual é segregada e negligenciada pelo Estado, além de não ter oportunidades convencionais de educação, é impossibilitada de ter sua ascenção e inclusão social por meio do esporte, como teve Neymar, que hoje é um dos brasileiros mais reconhecidos mundialmente. Nesse ínterim, enquanto a omissão estatal for a regra, o esporte como ferramente de inclusão será a exceção.

Urge, por conseguinte, a atuação do Ministério da Cidadania para promover projetos esportivos nas comunidades segregadas, por intermédio de testes semestrais gratuitos em bases de times. Tal ação seria efetivada pelo envio de verbas financeiras ao municípios pelo Ministério, para que haja o redirecionamento desse dinheiro aos clubes esportivos. Destarte, esses projetos teriam o fito de garantir mais oportunidades aos indivíduos marginalizados de terem suas devidas inclusões sociais.