O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 12/06/2021

O filme estadunidense “Um sonho possível”, retrata a história de Michael Oher, um jovem negro, filho de mãe viciada em drogas, morava em um lugar perigoso e que possuía uma enorme disposição para a prática de esportes. Em consonância com a realidade de Oher, está a de muitos brasileiros, já que o esporte, muitas vezes, é a única forma de “vencer na vida”. Isso ocorre, seja pelo fato de o Brasil ser um país muito atrelado à cultura do esporte como ferramenta de inclusão social, seja pelo ambiente em que a maioria dessas histórias se passam. Dessa maneira, é imperioso que essa chaga social seja resolvida, a fim de que o longa norte-americano se transforme mais rapidamente em ficção.

Nessa perspectiva, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à cultura de dependência do esporte nesse caso. Esse “hábito” se dá pela dificuldade de acesso a formação intelectual, isto é, famílias sem auxílios convivendo com o crime, prostituição ou até mesmo doenças físicas e vasculares não encontram saída para a inserção social dessas pessoas, se não através do esporte. Esses casos contrariam a teoria de Friedrich Hegel, tal qual afirmava que a educação para todos não servia apenas para desenvolvimento natural, mas seria responsável por conduzir a vida em comunidade e levar os indivíduos à sua “mais elevada perfeição”.

Paralelamente à cultura esportiva do povo brasileiro, é fundamental o debate acerca da ambientação onde o esporte como instrumento de inclusão predomina, uma vez que ambos representam impasses para a total socialização dessa pessoas. Tais disparidades entre ambientes são intensificados, majoritariamente, nas periferias, locais onde a assistência social é mínima e as mazelas máximas. Segundo dados do PNAD,  cerca de 83% dos praticantes de esporte que não possuem recursos para se manterem , 83% são negros, vivem com menos de um salário mínimo e vivem em áreas de risco à vida, isto é, nas zonas periféricas.

Portanto, é essencial que se discuta medidas operantes para a reversão do cenário caótico que serve de filtro no esporte. Visando a inclusão dessas pessoas, cabe, ao Ministério da Cidadania a construção de centros de recrutamento esportivo, concentrados nas periferias, que além de auxiliar no aspecto atlético, disponiblize aulas e atendimento de saúde. Isso deve ser feito através de recursos do Tribunal de Contas da União, com o objetivo de incluir, preparar e assistir aqueles que querem fugir das mazelas sociais em nome do esporte. Somente assim, pode-se evitar o surgimento de mais casos como o de Michael Oher.