O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 27/07/2021
No contexto histórico em que a Grécia Antiga encontra-se inserida, nota-se, como um marco cultural, a ocorrência dos grandes jogos e eventos desportivos que se passavam, sobretudo, na pólis Olímpia. Tais momentos de lazer revelavam um período marcado por tréguas e grande união coletiva. Nesse sentido, é notório que o esporte, como ferramenta, é capaz de propulsionar o fator de inclusão social ao viabilizar inúmeras reverberações no corpo patriótico, a saber: projeção para o ingresso no cenário laboral vinculada à valorização dos atletas em âmbito nacional.
Em primeira instância, é lícito postular que, consoante aos dados emitidos pelo censo do IBGE, mais de 30% dos jovens brasileiros acham-se em uma conjuntura de imensa precariedade e miséria, destituídos de quaisquer projeções positivas para a excelência de um futuro profissionalizante. É nesta perspectiva que emerge a possibilidade do esporte configurar-se como um instrumento de múltiplas oportunidades de ascensão pessoal, quando incentivado por ações institucionais e estatais. Logo, em paridade com as ideias defendidas pelo insígne sociólogo contemporâneo Ricardo Antunes, a instauração de um projeto social com viés em formação profissional é capaz de desvincilhar a nação verde-amarela das amarras do fenômeno da “uberização”, termo empregado pelo próprio autor, e da informalidade, a qual está cada vez mais presente no setor terciário da economia.
Outrossim, faz-se imprescindível ressaltar que, a partir do instante em que o esporte for reconhecido pelos seus marcantes fatores de fomento da inclusão e capacitação, ocorrerá o consequente processo de valorização dos trabalhos realizados pelos atletas. Assim, em acordo com o reconhecido filósofo antigo Platão, o Brasil se aproximará dos padrões estabelecidos pela pólis ideal, local onde paira a igualdade de oportunidades e a viabilidade de obtenção de prestígio social.
Destarte, diante da temática em discorrência, é imperioso a implantação de programas institucionais que visem à consolidação das práticas esportivas, vistas como uma poderosa ferramenta de integração, a fim de que o tecido coletivo desfrute das perspectivas de inclusão e prodígio. Para tanto, cabe às Secretarias de Estado de Esportes desenvolverem o projeto “Mais Esporte, Menos Desigualdade”, o qual atuará por meio dos institutos públicos de ensino, que farão a aplicação, semanalmente e em período letivo, de uma grade curricular previamente estabelecida, que contará com os equipamentos necessários à execução das propostas. Dessa forma, desde os primeiros momentos de constituição cidadã, os indivíduos terão ciência da importância dada aos exercícios desportivos e, por conseguinte, a nação brasileira se aproximará das premissas cunhadas pela antiga pólis grega Olímpia.