O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 02/08/2021

Marta, jogadora de futebol da seleção brasileira, adveio de uma família humilde do interior de Alagoas e, por meio do esporte, conquistou inserção social e sucesso na carreira, sendo conhecida, hoje, como a melhor jogadora de futebol do mundo. Nesse sentido, é possível perceber que a prática esportiva é uma importante ferramenta de inclusão social no Brasil. Contudo, casos como o de Marta não são recorrentes, haja vista a desvalorização do esporte e a falta de infraestruturas inclusivas.

Nessa conjuntura, urge mencionar que o Brasil é um país extremamente assimétrico no aspecto socioeconômico, o que relega vários indivíduos à marginalização social. Nesse sentido, a prática desportiva entra como um instrumento para amenizar esse panorama, uma vez que possui caráter inclusivo e proporciona mudança social - a exemplo de Marta. Todavia, apesar de o Artigo 217 da Carta Magna afirmar que é dever do Estado fomentar práticas desportivas, esse não enxerga o esporte como algo essencial à nação, o que limita o investimento e o incentivo nesse setor. O surfista Ítalo Ferreira, por exemplo, ganhador da medalha de ouro nas olimpíadas de Tóquio, afirmou ter começado a surfar em pedaços de isopor, fato que ilustra esta realidade. Desse modo, é notável que a situação nacional de desvalorização do esporte limita a inclusão social de diversos cidadãos.

Outrossim, é importante revelar que a prática esportiva é uma ótima alternativa para promover a integração de pessoas com deficiência (PCD) na coletividade, porém, a falta de acessibilidade restringe esse cenário. Sob esse prisma, cabe apontar que a construção das cidades transmite um discurso de segregação e preconceito contra PCD, haja vista a escassa infraestruta adequada para o lazer delas. Acerca disso, consoante o filósofo Aristóteles, é necessário tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de suas desigualdades. Entretanto, esse princípio da equidade não condiz com o panorama nacional. Dessa maneira, é perceptível que as PCD não terão o mesmo acesso ao esporte em comparação a pessoas sem deficiências, logo, a inclusão social daquelas é reduzida.

Destarte, é necessário que as secretarias de esporte e cidadania promovam a construção de espaços adequados para as práticas desportivas, a exemplo de praças e quadras, que sejam seguras e inclusivas. Isso deve ocorrer por intermédio de um mapeamento - o qual irá coletar dados e analisar os diversos contextos citadinos- para que, dessa forma, seja possível aplicar as políticas públicas de valorização do esporte e lazer de forma específica para cada local e público. Logo, tal proposta cumprirá o objetivo de incentivar e notabilizar as práticas desportivas e, assim, propagar a inclusão social, especialmente para as pessoas em vulnerabilidade socioeconômica e, também, para aquelas com deficiências.