O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 30/07/2021
De acordo com o princípio da equidade do filósofo Aristóteles, deve-se tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida de sua desigualdade. À vista disso, pelo fato de o Brasil ser um país extremamente desigual, muitos não têm seus direitos básicos garantidos, como o lazer, o que inviabiliza o conceito do pupilo de Platão. Nesse sentido, em razão de uma inoperância governamental, a qual gera uma exclusão social, emerge um problema complexo: a não acessibilidade ao esporte.
Diante desse cenário, vale destacar que a omissão do Estado é uma forte causa para a marginalização de muitos indivíduos. Sob esse ângulo, conforme a Constituição federal de 1988, em seu artigo 6º, todo cidadão brasileiro deve ter acesso ao lazer. No entanto, ao se observar a estrutura das cidades, percebe-se que isso existe apenas na teoria, já que, na prática, nota-se que as favelas e as periferias — ocupadas por aqueles com condições financeiras limitadas — não recebem investimento estatal, o que origina o processo de segregação socioeconômica e fere a Carta Magna. Sendo assim, no que tango ao esporte, é nítido que uma boa parcela da sociedade não tem acesso de qualidade a ele por conta da indiferença do Governo aos mais pobres e aos marginalizados.
Nesse contexto, é importante salientar que as atividades esportivas têm um grande papel no avanço da nação. Sob essa ótica, consoante o postulado da responsabilidade social de Hans Jonas, ser ético é fundamentar suas ações com base na coletividade e nas outras gerações. A esse respeito, ao se analisar o esporte e suas consequências, nota-se que ele se encaixa perfeitamente nesse raciocínio, já que o basquete e o futebol, por exemplo, são cruciais para resolver as mazelas sociais, pois torna possível a ascensão financeira dos marginalizados, como os jogadores Ronaldo e Bianca Araújo. Logo, a ausência do acesso a essas atividades físicas representa um grave retrocesso e causa um dos mais graves obstáculos para Jonas: a falta de ética na conduta social.
Infere-se, portanto, o Ministério da Infraestrutura precisa atuar, de modo especial, nos centros periféricos e nas favelas, por meio do oferecimento de ambientes poliesportivos, assim como profissionais qualificados, a fim de tornar real os direitos presentes na Constituição. Por sua vez, o Ministério da Educação — regulador das práticas educacionais do país — deve criar um projeto pedagógico, o qual leve aos alunos das periferias a importância das práticas esportivas, por meio de encontros com jogadores famosos de origem humilde, por exemplo, o Ronaldo e a Bianca Araújo. Diante disso, tal ação terá o objetivo de inspirar as novas gerações a reconhecerem o quão fundamental são essas atividades para a sociedade brasileira. Dessa forma, espera-se fazer o esporte atuar como uma ferramenta de inclusão social no Brasil e viabilizar o princípio da equidade de Aristóteles.