O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 04/08/2021

A vitória da skatista brasileira, Rayssa Leal, de apenas treze anos, fez história nas olimpíadas de Tokyo em 2021, não só por conquistar a medalha de prata, como também por trazer a representatividade feminina em um esporte majoritariamente masculino. Conquanto, tal panorama entra em discordância com a realidade brasileira quando se observa a escassa inclusão de pessoas como a atleta Rayssa nos esportes, tornando-se um problema a ser combatido. Assim, aprofundam essa vicissitude a falha no sistema educacional e a falta de infraestrutura como impulsionadores da problemática em questão.

Em primeira análise, deve-se explorar a falha no sistema educacional brasileiro como contribuinte para falta de inclusão social nos esportes. Isso ocorre porque o que se observa na maioria das instituições de ensino é a limitação dos esportes a qual cada indivíduo deve praticar, por exemplo, os homens devem jogar futebol e as mulheres devem jogar vôlei ou handebol, entretanto não há um incentivo para que todos possam jogar o esporte que tem preferência sem o embasamento por padrões conservadores. Essa visão, segundo o sociólogo francês Edgar Morin, configura-se como a quebra da transdiciplinaridade, pois não corrobora com a expansão do conhecimento, fazendo com que a inclusão social nos esportes permaneça estagnada, prejudicando o futuro das diversas “Rayssas” que tanto buscam por representatividade.

Outrossim, é fundamental apontar a falta de investimento como motivador da escassa inclusão social nos desportos. Desse modo, nota-se um descaso por parte da sociedade civil organizada, a qual não trata com seriedade a importância do esporte na vida das pessoas e o impacto que ele causa a longo prazo. Essa afirmação pode ser confirmada pela matéria do site ‘O Globo’, o qual relata que de 6/10 das escolas públicas do país não possuem quadras para a prática de atividades físicas, tal situação calamitosa faz alusão ao pensamento do “contrato social”, proposto pelo filósofo Thomas Hobbes, o qual afirma que o Estado deve cumprir com a obrigação de garantir direitos indispensáveis aos seus cidadãos, como a prática de esportes, o que infelizmente não é valorizado pela sociedade nacional.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater tais mazelas. Para isso, compete ao Ministério da Educação, promover ações que busquem trazer a prática dos esportes com mais seriedade nas instituições de ensino, por meio do envio de recursos para as escolas com a finalidade de mitigar a falta de transdiciplinaridade, tal como afirma Morin. Ademais, a adição de programas com profissionais especializados, com o intuito de abranger o conhecimento da comunidade estudantil, trazendo, dessa forma, inclusão social e concretizando o sonho das milhares de “Rayssas” espalhadas pelo país