O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 14/08/2021
O esporte, presente nas escolas de ensino fundamental e médio, tem como propósito curricular, principalmente, o trabalho em equipe e a construção da ética, do respeito e de relações amistosas no ambiente estudantil. À luz desse enfoque, nota-se a importância do esporte como ferramenta de inclusão social. Todavia, no cerne da contemporaneidade, essa prática lúdica vêm sofrendo uma desconsideração com raízes não somente na inoperância estatal, mas também na letargia social.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, em conformidade com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Governo Federal se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas que incentivem o esporte. Isso é perceptível, lamentavelmente, seja pela carência de campanhas de conscientização acerca dos benefícios socias de atividades lúdicas em grupo, seja pela recente extinção do Ministério do Esporte no governo de Jair Bolsonaro. Isso posto, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam esse imbróglio e desestimula a inclusão social a partir do esporte.
Além dessa mácula governamental, as origens e consequências da ignorância social também são preocupantes. De certo, mediante aos dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros banalizaram e normalizaram a escassez de visibilidade do esporte na sociedade, o que gerou frutos como a depreciação de atividades lúdicas fora do ambiente estudantil. À vista disso, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, o esporte será desprezado e sua implementação como ferramenta de inclusão social para além das escolas será dificultada.
Dessarte, fica claro que a gênese desse revés tem suas fundações na inoperância das instâncias públicas aliada à ignorância social. Assim, urge que o Governo Federal faça campanhas de conscientização acerca dos benefícios socias de práticas lúdicas em grupo, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e do Facebook, a fim de fazer com que o corpo social valorize essa atividade. Outrossim, o Estado deve voltar com sua pasta centrada no Ministério do Esporte e, com isso, destacar o esporte como ferramenta de inclusão social.