O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 20/09/2021
O indivíduo em destaque no quadro “O grito” do artista norueguês Edvard Munch, parece estar desconfortável com o desconhecido. Essa analogia vai diretamente ao encontro da perspectiva do sentimento de indiferença do esporte como ferramenta de inclusão social pela mentalidade capitalista. Assim, atuam na perpetuação desse quadro deletério não só a carência estrutural como ideal de produtividade.
Dessa forma, torna-se claro como a carência estrutural solidifica a desvalorização do esporte como integração social. Isso ocorre pois, no Brasil o esporte não é valorizado e enxergado como ferramenta de transformação. Uma consequência disso é a alta criminalidade em bairros de classe média baixa. Exemplifique-se essa vicissitude com o fato de que o esporte habilidade como compreensão de situações desafiadoras com estratégia, amadurecimento socioemocional e facilidade em trabalhar em equipe, contribuindo para a formação do indivíduo em sociedade.
Outrossim, é o fato de que o ideal de produtividade cristaliza a falta de incorporação do esporte para o desenvolvimento com foco no coletivo. Tal quadro advém da visão capitalista de que se não gera lucro não há importância naquilo, assim como as preocupações individuais na lógica capitalista é mais relevante que as problemáticas sociais. Dessa maneira, a validação do ideal extremo de produtividade gera uma parcela despreocupada com a valorização do esporte enquanto implementação na sociedade. Esse pensamento se relaciona com a citação do romancista equatoriano Juan Montalvo, para quem “Não há nada mais duro que a suavidade da indiferença”, que comprova a falta de ação da sociedade capitalista para com a mudança de vida das pessoas pelo meio do esporte.
Portanto, é notório o descaso com as práticas esportivas como uma alternativa de implementação da pessoa no coletivo, isso surge diretamente do pensamento capitalista. Desse modo, para solucionar essa vicissitude, é necessário que o Governo Federal atue por meio de um Plano Nacional do Esporte, que terá como objetivo investir no esporte e nas suas estruturas ofertadas para o crescimento pessoal da população mais jovem. Esse Plano, terá como objetivo destinar verbas aos municípios para construção e manutenção de equipamentos esportivos nas escolas públicas e também para criação de centros esportivos nas escolas públicas e também para criação de centros esportivos que abriguem crianças carentes com um equipamento de que essas práticas desenvolvam nesses menores de idade um senso coletivo. Assim, a partir dessas medidas, uma reação de espanto do personagem da obra supracitada, de Edvard Munch, passará a simbolizar o sentimento social em situação do descrédito do esporte na importância da formação social do cidadão.