O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 06/10/2021

Em 1894 a prática do futebol era restrita à elite, uma vez que as camadas pobres da população e os negros poderiam apenas assistir às partidas. Hoje, por trás de cada competidor existe uma história de superação seja por poder participar, ou por ter melhorado suas condições de vida graças ao esporte, porém a luta por melhorias e inclusão nesse âmbito ainda é constante. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes sobre à temática: a falta de investimento em modalidades esportivas nas escolas e a industrialização do esporte.

Primeiramente, é indubitável que o pouco incentivo às diferentes práticas esportivas, principalmente nas escolas, é um dos grandes desafios que a sociedade brasileira enfrenta. Isso acontece porque ainda há escolas sem quadras ou com estruturas ruins, sem os equipamentos necessários e com poucas modalidades esportivas sendo oferecidas. Uma pesquisa divulgada pelo G1 mostra que só em São Paulo de 2980 escolas, 447 não tem quadras e no Brasil as únicas práticas presentes em pelo menos 65% das escolas são futebol, vôlei e handebol. Esse cenário contribui para a exclusão social de milhares de crianças e adolescentes que não tem acesso à condições mínimas para a relização dessas atividades e também tira a oportunidade de seguirem nessa carreira, já que muitos atletas renomados tiveram o primeiro contato com o esporte pela escola. Dessa forma, vê-se a importância de tal investimento.

Outrossim, é notório que há uma hipervalorização de atividades que são altamente lucrativas como o futebol, em que os salários são bem maiores, tem mais oportunidades e reconhecimento. Isso acaba fazendo com que pessoas queiram praticar determinado esporte somente pelo dinheiro. O escritor Eduardo Galeano fala justamente sobre essa industrialização do esporte, como que foi perdida a sua essência que é a diversão passando a ser visto como algo só lucrativo. Desse modo, é evidente a necessidade de se valorizar todas as áreas de atuação esportivas pensando na satisfação pela prática.

Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessária a adoção de medidas que venham garantir o acesso ao esporte em todos os níveis. Por conseguinte, o Estado juntamente com o Ministério da Cidadania deve investir na ampliação do esporte nas escolas, por meio da construção de centros poliesportivos com diversas modalidades, erguendo em cada cidade um centro como esse, a fim de que a prática de diferentes categorias e o conhecimento delas seja uma realidade contemplada por todos. E o Governo deve se atentar também a questão de equilibrar os investimentos nesse ramo para que haja uma valorização uniforme de todas as suas especificidades, promovendo mais oportunidades a população. Somente assim o Brasil terá o esporte como uma ferramenta de inclusão social.