O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 28/09/2021

No seriado “Cobra Kai”, o karatê é reconhecido como um instrumento disciplinar e de ressocialização, principalmente, para os adolescentes excluídos e ridicularizados dentro do ambiente escolar, alvos de preconceitos. Analogamente, diferente da ficção, essa importância não é reconhecida pela sociedade brasileira hodierna, por isso, as iniciativas para que o esporte seja uma ferramenta de inclusão social são negligenciadas. Nesse sentido, cabe analisar o descaso governamental e a desigualdade social como impulsionadores do exposto.

Em primeira análise, a falta de incentivo do Governo auxilia na perpetuação da problemática. Nesse viés, a Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 217, que o Estado deve fomentar as práticas desportivas. Contudo, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa diversos entraves para a adoção de projetos para democratizar esse direito, sobretudo a crise econômica que assola o país acoplado ao desinteresse Estatal com o desporto. Com isso, a União descumpre o direito constitucional, pois, cada vez mais, o setor esportivo sofre com a redução orçamentária. A exemplo disso, a proposta de orçamento para 2020 cortou quase pela metade os investimentos dessa categoria, especialmente as verba destinadas ao “Bolsa Atleta”, o que agrava ainda mais a temática.

Outrossim, o contraste de realidades contribui para a manutenção da adversidade. Nessa óptica, segundo a ONU - Organização das Nações Unidas -, o Brasil é o oitavo país mais desigual do mundo, isso significa que a distribuição de renda é extremamente desproporcional. Desse modo, é inegável que a facilidade de tornar o esporte um hábito dos jovens não é igualitário, porquanto, quando se trata da parcela menos favorecida, grande parte precisa trabalhar desde muito novo para ajudar nas despesas domésticas, o que prejudica esses indivíduos a usufruírem das práticas esportivas e, consequentemente, a inclusão social. Isso porque essas atividades são muito importantes para o corpo social, visto que colaboram nos valores do cidadão, como trabalhar em equipe, e os deixam mais sociáveis e saudáveis. Logo, essa disparidade econômica coopera com esse problema.

Em suma, é indubitável que medidas devem ser tomadas para reverter esse quadro trágico. Para isso, urge ao Ministério da Cidadania, responsável por regulamentar essas práticas esportivas, criar programas para incentivar os infatojuvenis a praticarem esportes, por meio da destinação de verbas para as escolas de regiões carentes - a fim de dar bolsas para os alunos de baixa renda que mais se destacarem nas aulas de educação física -, com o intuito de deixar o esporte uma ferramenta de inclusão social. Dessarte, a realidade brasileira seria como a da série “Cobra Kai”.