O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 27/10/2021

A Constituição Federal de 1988 assegura a todos os cidadãos o direito fundamental ao esporte. No entanto, na prática, tal direito não se encontra efetivo de maneira sólida no Brasil. Em vista disso, a ausência de medidas concretas e eficazes para promover a inclusão do esporte como ferramenta social são fatores que contribuem para esse impasse. Assim, os efeitos dessa realidade têm como consequência a desigualdade social, bem como a omissão estatal para a pessoa com deficiência.

Em primeira análise, é importante pontuar a disparidade socioeconômica ao evidenciar a má distribuição de renda que acomete nossa sociedade. Sob essa ótica, alude-se ao pensamento do filósofo grego Aristóteles, ao evidenciar que a política deve ser articulada pelos homens a fim de alcançar o equilíbrio na sociedade. Nesse sentido, observa-se que tal teoria rompe com a lógica retratada no cotidiano, haja vista que desde o período da antiguidade a modalidade esportiva esteve associada a uma prática notadamente segregacionista, dominada significativamente pela população elitizada. A esse respeito, nota-se que as classes sociais menos favorecidas carecem desse prestígio social, tendo em vista a ausência de acesso e suporte financeiro para ocuparem espaços que lhe são necessários e possibilitam, assim, ascenderem socialmente.

Ademais, é cabível ressaltar a postura do Estado em negligenciar a inclusão de pessoas que partilham de alguma condição física nessa modalidade.Nessa perspectiva, segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro, não há uma lei que garanta especificamente a inclusão de deficientes no esporte. Em suma, a carência de medidas governamentais para promover e incentivar os cidadãos corrobora consideravelmente para excluí-los do convívio social, além de causar o distanciamento e o aprimoramento de suas capacidades cognitivas e físico corporais. Com isso, permite que essa parcela da população se isente de incentivos, tenha a sua qualificação profissional prejudicada e, consequentemente, o prejuízo da sua cidadania em função de suas liberdades fundamentais.

Portanto, infere-se que o esporte como ferramenta de inclusão no Brasil, é um tema relevante que carece de soluções. Sendo assim, cabe ao governo federal em parceria com os governos municipais criar um Centro Esportivo Municipal, destinado aos cidadãos das camadas menos favorecidas e aos portadores de deficiência física em questão. Essa ação se dará por meio de diversas modalidades esportivas e contará com aparelhos de ginástica, além de profissionais capacitados com o intuito de certificar sobre a necessidade e a individualidade de cada habitante que, por meio deste, será beneficiado. Feito isso, será possível que a teoria de Aristóteles se concretize na sociedade e  que o direito vigente na Constituição seja assegurado por todos os cidadãos da população brasileira.