O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 10/11/2021
O escritor brasileiro Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, retrata como a sociedade seria perfeita caso os direitos e os deveres propostos pela Constituição fossem assegurados a todos. Fora da ficção, sabe-se que o esporte é uma importante ferramenta para alcançar essa perfeição, pois é capaz de gerar a inclusão social, amenizando as mazelas que assolam o país. Destarte, é fulcral destacar que essa prática viabiliza ampliação de cidadania e permite uma radical mobilidade social.
Em primeiro plano, é mister analisar que o esporte aumenta exponencialmente o conceito de cidadão. Segundo o sociólogo Thomas Marshall, a cidadania plena é aquela que garante os direitos civis, políticos e sociais a todos os cidadãos. Nesse sentido, sabe-se que a atividade física melhora o condicionamento fisiológico dos atletas, fortalecendo o sistema imunológico e reduzindo não só os riscos de infecções, mas também o custo do Estado com os hospitais públicos, devido à diminuição de internações ou de remédios. Além de promover a saúde, tal prática permite o acesso ao lazer, o qual esta presente no artigo 6º da Carta Magna e se caracteriza como um importante pressuposto constitucional. Dessa forma, torna-se notório que o exercício é fundamental para a melhoria nas condições sociais dos indivíduos.
Ademais, em segundo plano, é imperioso pontuar que o esporte possui o potencial de elevar as circunstâncias financeiras dos atletas. Sob essa perspectiva, percebe-se que a comercialização dos esportistas é um mecanismo de mobilidade social, haja vista que viabiliza a contratação dos indivíduos por valores que podem ser acima da média salarial nacional. Tal nicho trabalhístico permite, aos contratados, uma mudança radical de estrato social, sobretudo, aos que eram de classes mais baixas, permitindo que usufruam de regalias que outrora eram utópicos a eles. Exemplo dessa situação de ascensão social e radical pode ser vista na história do Neymar, o qual morava na periferia paulista, lidando com a escassez de uma vida pobre e,atualmente, é um dos jogadores mais bem pagos do mundo.
Portanto, a fim de tornar o esporte uma ferramenta de inclusão ainda mais abrangente, é fundamental que a Secretária Especial do Esporte, sob comando do Ministério da Cidadania, crie centros públicos de esporte, que possuam a capacidade de melhorar a vida dos cidadãos e de permitir a contratação deles, por meio do repasse de verbas da União, que cortará gastos supérfluos, como o auxílio-terno, para oferecer infraestrutura e treinamento de qualidade. Concomitantemente, deve fazer propagandas, em rádios e mídias sociais oficiais, que incentive a adesão dos brasileiros a essa iniciativa. Assim, o país dará um primeiro passo em direção à perfeição proposta por Gilberto Dimenstein.