O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 31/10/2021

Ao se averiguar o contexto social hodierno, depreende-se que, embora tenha sido intitulado como “país do futuro”, pelo filósofo austríaco Stefan Zweig, o Brasil tem seu desenvolvimento obstado pela perpetuação da exclusão social no esporte. Funestamente, essa situação decorre, em grande parte, de duas consideráveis problemáticas: a evidente negligência governamental e o desrespeito dos brasileiros às diferenças.

Em primeira instância, é fulcral considerar que, ainda que se trate de um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988, o acesso equitativo ao esporte figura somente no plano teórico, conforme disserta o escritor Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”. Isso ocorre porque, em razão da displicência estatal para com a situação e da consequente escassez de investimentos na criação de projetos de inclusão, o nefasto cenário de discriminação se perdura, o que desrespeita a carta magna e ameaça a cidadania no país. À vista disso, evidencia-se a premência da atuação dos órgãos do governo brasileiro na superação daquilo que o geógrafo Milton Santos definiu como “cidadania mutilada”, ou seja, sem efetivação de leis.

Outrossim, cabe analisar que o legado histórico de marginalização das minorias sociais – mulheres, negros, indígenas, deficientes, homossexuais, entre outras – impossibilita a plena integração desses indivíduos nas modalidades esportivas. Sob essa ótica, à medida que exclui uma parcela dos brasileiros, o esporte se destitui de seu caráter democrático e se converte em um mecanismo de “violência simbólica”, expressão utilizada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu para designar um tipo de opressão que, com o decorrer do tempo, se normaliza socialmente e legitima, por conseguinte, a violação de direitos das pessoas historicamente mais vulneráveis. Dessa forma, torna-se notório que, enquanto o preconceito para com o diferente se mantiver, o completo desenvolvimento da nação verde-amarela não passará de uma utopia.

Diante do exposto, urge, portanto, ao Ministério da Cidadania – órgão incumbido de gerenciar os programas culturais e esportivos do Brasil –, por meio de verbas governamentais e de uma parceria com o Ministério das Comunicações, a criação de campanhas socioeducativas que abordem a importância do acolhimento às diferenças e do respeito nas práticas desportivas, a fim de desconstruir os estereótipos existentes em território nacional e democratizar o acesso ao esporte em todo o país. Feito isso, será possível garantir a plena cidadania e, desse modo, criar meios propícios para que a teoria de Zweig se torne realidade.