O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil

Enviada em 02/11/2021

A democracia só é efetiva quando alcança a totalidade do corpo social. Nessa concepção, a afirmação atribuída ao geografo Milton Santos, no texto “As cidadanias mutiladas”, revela que a democracia só efetiva quando os direitos são universais e desfrutados por todos. No entanto, no Brasil a dificuldade da população - ´principalmente a mais carente - em utilizar o esporte como mecanismo de inclusão social é desafiadora, o que representa grave mazela social. Com efeito, há de se deliberar como a desigualdade social e a falta de apoio do Estado tem influência nessa questão.

É válido pontuar, de início, que a desigualdade presente na sociedade brasileira é uma das causas do problema. A esse respeito, o escritor Machado de Assis disserta de não ser verdade que o Brasil esteja progredindo rumo a ser sociedade igualitária. Nessa visão, é notório que milhares dos cidadãos não possuem acesso ao esporte e ao lazer, visto que a desigualdade estrutural presente na nação inviabiliza o acesso dessas pessoas ao esporte. Por conseguinte, basta observar as favelas e bairros periféricos das cidades que se constatará a presença de espaço adaptados - muitos deles em terrenos vazios - para o lazer da molecada, o que revela umas das facetas do acesso desigual ao esporte. Diante disso, é impreterível que haja uma melhor gestão dos espaços públicos para proporcionar o esporte.

Ademais, em segundo plano, o frágil incentivo governamental figura como outro desafio. Acerca disso, o filósofo contratualista John Locke afirma que o Estado existe para a garantia de direitos inalienáveis ao ser humano. No entanto, a realidade presenciada pela população brasileira é adversa à proposta do filósofo, visto que os baixos investimentos no setor esportivo são estruturais, em que se fala muito - nas políticas públicas - da necessidade de praticar atividades físicas para evitar doenças e ter melhores condições físicas, no entanto, na realidade os espaços destinados à tal prática são, não raramente, sucateados, o que dificulta que atletas possam se desenvolver e obter resultados satisfatórios. Assim, a falta de investimento estatal penaliza a população brasileira.

É mister, portanto, que o esporte seja uma ferramenta de inclusão social. Para tanto, o Ministério Público - na condição de fiscal da lei - deve, por meio de Ação Civil Pública, denunciar autoridades omissas quanto ao necessário investimento e desenvolvimento do esporte na nação, visto que essa indiferença das autoridades inviabiliza que potenciais atletas desenvolvam suas habilidades. Essa medida terá como objetivo problematizar a situação e, assim, mobilizar a sociedade civil para verbalizar sua indignação. Feito isso, muito em breve, nas cidades brasileiras poderão se criar espaços propícios para o desenvolvimento dos atletas e fazer com que a democracia, proposta por Santos, seja uma realidade.