O esporte como ferramenta de inclusão social no Brasil
Enviada em 07/11/2021
Nascido em uma família humilde, Ítalo Ferreira começou a surfar usando como prancha a tampa de isopor em que seu pai armazenava peixes. Nesse viés, apesar de numerosos empecílhos, o surfista persistiu e se tornou campeão olímpico em Tóquio 2020. Com efeito, esse retrato social abre margem para um importante tema em debate no Brasil: o esporte como ferramenta de inclusão social. Dessa forma, pode-se afirmar que a negligência Estatal e a desigualdade social fomenta barreiras para inserção.
Em primeira instância, é relevante abordar que a displicência do Estado corrobora para a exclusão social no esporte. A esse respeito, Gilberto Dimenstein - em sua obra “Cidadão de Papel” - declara que os direitos apenas são garantido na teoria, pois há dificuldade e despreocupação em efetivar na prática. Nesse cenário, o Poder Público se mostra incapaz de estender os direitos, como precedeu o escritor, a exemplo da falta de investimento em políticas públicas e a escassez incentivo, consequentemente dificultando o envolvimento dos jovens na prática esportiva, principalmente, os que possuem baixo prestígio social. Assim, enquanto o silêncio governamental se mantiver, o desporto não poderá agir como um instrumento benéfico para a sociedade.
Ademais, vale destacar que a desigualdade resulta em um obstáculo para integração social. Sob essa égide, de acordo com Rousseau - em sua obra “O contrato social” - a disparidade surgiu na disputa por poder e riquezas entre os indivíduos. Sob essa ótica, o que disse o filósofo pode ser validado quando se percebe que a formação histórica do país foi pautada em um aspecto desigual, contribuindo assim para instauração de um cenário em que uma parcela dos seres humanos obtém de um privilégio em relação ao outra, como a virtude de avançar etapas dentro meio esportivo. Dessa maneira, os grupos deixados a margem não revertem a situação descrita por Jean Jaques, o que evidencia a não igualdade social, por consequência a exclusão.
Ante o exposto, portanto, diante dos efeitos supramencionados, é necessário a ação conjuta do Estado com a sociedade para ameniza-los. Isso posto, é preciso que o Estado, através do Ministério do Esporte invista em mais políticas públicas, como a utlização do Bolsa Atleta, e crie projetos que incentivem os jovens da comunidade a iniciarem o contato com as atividades físicas desde cedo, por meio de oficinas em que profissionais da educação física demonstrem diversos desportos existentes. Essas oficinas devem acontecer semanalmente, variando o eixo esportivo, com a finalidade de combater a ineficácia governamental e assegurar o acesso igualitário ao universo esportivo. Assim, a nação poderá, de fato, experimentar o esporte como um meio de inclusão na sociedade.